Oi! Tudo certo? Eu sou o Augusto Ruiiz, estudante de medicina do quarto ano, aqui no interior de SP, resolvi trazer ao DeuClick, na minha coluna informações para o espaço do “Fique Bem”, o tema da “Violência Psicológica”. Como ela afeta nossa vida num todo e como perceber sinais dessa agressão verbal, muitas das vezes escondida nas conversas. Confere com a gente:
A humanidade vem em constante evolução na tentativa de criar uma sociedade mais ética, justa e livre em relação aos direitos e às escolhas de cada indivíduo, principalmente com a galera de novas gerações que cada mais fala da saúde mental.
Nessa jornada, muitos comportamentos e imposições foram sendo eliminados. Até certo tempo era muito mais comum presenciar ditaduras, guerras e até mesmo a escravidão, todas muito violentas e sanguinárias. Scr. né!
Recentemente, muitos episódios de violência contra a mulher foram expostos e revelaram uma condição que se repetia em muitos lares e que eram omitidas pelas vítimas por medo e repressão.
Com a quantidade de relatos foram criadas leis e várias maneiras de auxiliar a mulher a fugir destas relações abusivas, tóxicas e voltar a ter uma vida digna.
Porém, a violência não se configura apenas de maneira física, mas também de maneira psicológica. Que é o assunto que vamos abordar. Quando falamos em violência psicológica, muitos imaginam ter menos gravidade que as agressões físicas, o que não é verdade, uma vez que através da violência psicológica é possível gerar traumas, depressão e alterar a vida da vítima para sempre.
Mas o que é a violência psicológica?
A violência psicológica pode ser praticada de múltiplas maneiras, sendo os xingamentos, humilhação e chantagem emocional as mais comuns e evidentes.
Principalmente se praticados contra as mulheres em relacionamentos abusivos, estes comportamentos visam deteriorar o estado mental da vítima e gerar uma dependência imposta pelo agressor.
Além disso, na maior parte das vezes estas agressões surgem disfarçadas de ciúmes, excesso de cuidado, temperamento forte e afins, que servem como uma forma de mascarar o verdadeiro objetivo de prejudicar a vítima.
Outro padrão que se repete nesse tipo de agressão é a gradualidade, ou seja, inicialmente são apenas algumas provocações e cutucadas. À medida em que a vítima vai baixando a guarda e aceitando as pequenas agressões, o agressor vai se tornando cada vez mais violento e perigoso.
Vale lembrar que este tipo de agressão não ocorre somente em relacionamentos amorosos. Estes padrões se repetem em empresas, entre relações familiares e até mesmo nas escolas.
Nas escolas, por exemplo, utilizou-se a terminologia do bullying, que passou a ser estudado e combatido dentro das escolas, pois estava afetando seriamente o desenvolvimento das crianças e deixando traumas para o resto da vida.
É claro que a imaturidade e inocência dos jovens talvez não pudessem permitir que estas consequências pudessem ser imaginadas por elas, já que o bullying se configura muito através de brincadeiras de mau gosto, porém não deixam de ser um tipo de violência psicológica.
Com o empenho das escolas e através de muitas campanhas foi possível gerar uma certa conscientização em relação ao tema, permitindo que casos como estes não se repetissem com tanta frequência.
Por ser uma agressão com várias práticas, é importante conhecer algumas para identificar, já que este é o primeiro passo em busca de ajuda. Vou falar agora algumas formas que a violência psicológica se manifesta:
AMEAÇAS: a tentativa de impor medo e receio através de ameaças faz com que a vítima se acanhe e faça tudo aquilo que o agressor impor, ainda que sejam ameaças vazias;
HUMILHAÇÃO: Diminuir a vítima por qualquer motivo, seja em público ou no privado também promove uma submissão por parte da vítima, que acaba cedendo às mentiras do agressor.
MANIPULAÇÃO: O agressor se aproveita da vulnerabilidade da vítima para fazer chantagens emocionais e distorcer a realidade, fazendo com que a vítima permaneça ao seu lado mesmo em um relacionamento prejudicial.
ISOLAMENTO SOCIAL: O agressor passa a isolar a vítima do seu círculo social, inclusive familiares, afim de evitar que ela perceba o que há de errado em sua relação.
INSULTOS: O agressor usa e abusa dos insultos, mesmo disfarçando de brincadeiras, para fazer a vítima se sentir incapaz e dependente dele.
RIDICULARIZAÇÃO: Outro método muito comum para diminuir a vítima, fazendo com que ela pense que jamais encontrará outra pessoa como o agressor que esteja disposto a aturar sua suposta chatice, jeito de ser, ou outras críticas à aparência.
DISTORÇÃO DE FATOS: Também conhecido como gaslighting, esta forma de agressão visa impor ideias e alterar memórias para fazer com a vítima enxergue os fatos sob a ótica do agressor, fazendo com que a vítima desconsidere os próprios pontos de vista.
Estar ciente destes comportamentos e saber identificar quando uma pessoa próxima ou até mesmo você esteja passando por isso é muito importante para buscar uma saída.
O que fazer ao ser vítima de violência psicológica?
O primeiro passo, como já comentado, é saber identificar a agressão. Por vezes pode ser que haja algum tipo de desentendimento ou brincadeira de mal gosto que traga algum constrangimento, porém, que acaba sendo algo apenas de momento.
Apesar de haver uma linha muito tênue entre um erro e um abuso sistemático, ter em mente os sintomas e estar atento ao andamento das suas relações é essencial para saber de fato o que está acontecendo.
Identificando um comportamento inadequado, o primeiro passo pode ser buscar ajuda de amigos e familiares. Pessoas que possam te ajudar e auxiliar na melhor tomada de decisão.
Por vezes, pode ser interessante buscar ajuda psicoterápica para trabalhar a autoestima e te ajudar a cortar os laços com o agressor da maneira mais adequada e menos traumática possível.
O ideal é buscar ajuda ainda nos estágios iniciais de uma relação abusiva, porém nem sempre isso ocorre devido à confiança que a vítima deposita no agressor, se recusando a enxergar a relação como prejudicial. Nestes casos em que o abuso já vem de longa data, o acompanhamento psicológico é ainda mais importante.
As terapias podem durar algumas sessões ou até mesmo anos, com o objetivo de devolver à vitima sua confiança, amor próprio, segurança e libertá-la de todos os traumas vividos.
O tratamento vai depender de muitos fatores, o mais importante é que não tenha vergonha de buscar ajuda e de cortar os laços com o agressor para, a partir daí, trabalhar para recuperar sua autoestima de volta.
E quando a vítima for alguém próximo a mim?
É preciso lembrar que as vítimas de violência psicológica estão fragilizadas e traumatizadas, portanto, o primeiro passo pode ser demonstrar o seu apoio e abrir os olhos da vítima para o que está acontecendo de errado.
Evite fazer julgamentos ou tentar colocar a vítima contra o agressor. O ideal é ajuda-la a enxergar a situação com os próprios olhos para que ela possa, então, buscar uma saída.
Informar os familiares sobre a gravidade da situação também é importante para que possam ajudar no processo e, principalmente, guiar a vítima a um tratamento psicológico para que possa ter ajuda profissional.
Em alguns casos mais graves pode ser necessária intervenção policial, que pode ser encontrada nos órgãos competentes em defesa à mulher.
Em tempo: projeto de lei visa criminalizar a violência psicológica contra a mulher.
Deixando ainda mais evidente a preocupação com as relações abusivas entre homem e mulher, foi aprovado um projeto de lei em Julho de 2021 que pretende criminalizar a violência psicológica contra a mulher.
Esta lei sendo implementada é de extrema importância para dar um norte e uma segurança à mulher de que ela não está sozinha e de que tudo o que ela está sofrendo merece ser punido.
Assim como a lei Maria da Penha, este projeto irá permitir que as relações abusivas sejam identificadas e punidas adequadamente, além de trazer perante a lei uma maneira da vítima conseguir escapar de relacionamentos prejudiciais antes que seja tarde demais.
Sobre o bullying
Como já comentado, o bullying também representa uma forma de violência psicológica nos primeiros estágios da infância e adolescência e ai que pega, pois esses traumas pode causar danos pro futuro adulto.
Por ser uma fase da vida em que os pequenos mais adquirem informação e estão suscetíveis ao aprendizado, saber identificar e coibir estas situações é essencial para garantir o desenvolvimento adequado e sem traumas.
As vítimas das ‘brincadeiras’ geralmente são os jovens mais quietos por serem considerados impotentes. Além disso, aqueles que não se enquadram aos padrões ou são menos ‘descolados’ acabam por sofrer mais com o bullying.
Esteja atento aos seus filhos caso apresentem uma condição de isolamento, agressividade ou introspecção excessiva, eles podem estar sendo vítimas deste tipo de violência.
Procurar apoio psicológico é muito importante para que este jovem possa enxergar como as coisas realmente são e se desenvolver de uma maneira mais adequada psicologicamente, eliminando os possíveis traumas.
Espero que com essas informações você tenha aprendido como identificar e tratar esses abusos. Em breve voltarei com mais informações médicas, então fiquem ligados!
Qualquer dúvida me chama na dm: @augustoruiiz
Diagramação e imagens: Gustavo Luna