Michael (2026), dirigido por Antoine Fuqua (Bohemian Raphosody), é o tipo de cinebiografia que entende perfeitamente o tamanho do mito que está retratando, mas escolhe com certa cautela, não encarar todas as suas contradições de frente. O resultado é um filme que funciona muito bem como espetáculo, emociona como tributo e impressiona como experiência sensorial… ainda que deixe um gosto de “poderia ir além”.
O grande trunfo do longa está em Jaafar Jackson. Não é exagero dizer que ele carrega o filme. Sua performance vai além da imitação: há um trabalho físico, vocal e emocional que transforma cada cena musical em algo quase hipnótico. Em momentos como “Billie Jean” e “Thriller”, o filme deixa de ser narrativa e vira evento, daqueles que justificam a tela grande. Existe uma energia ali que não se explica só tecnicamente, é presença.

Ao lado dele, Colman Domingo entrega um Joe Jackson intenso e incômodo na medida certa. A relação entre pai e filho é, talvez, o elemento dramático mais consistente do filme, uma tensão constante entre disciplina e destruição que ajuda a dar peso emocional à jornada. Nos despertando raiva, fúria e incomôdo constante.
Narrativamente, Michael segue a cartilha das cinebiografias musicais recentes. A estrutura “greatest hits” funciona: o filme é ágil, envolvente e acessível, especialmente para quem quer revisitar ou conhecer a ascensão do artista que nos permite acompanhar do Jackson 5 ao fenômeno solo. Há um cuidado evidente com ambientação, figurino e direção de arte, criando uma imersão eficiente nos anos 60, 70 e 80.

Mas é justamente aí que mora sua limitação.
O roteiro opta por um recorte confortável. Ao focar na ascensão e evitar as zonas mais controversas da vida de Michael, o filme constrói uma narrativa mais segura, quase higienizada. Conflitos são apresentados, mas raramente aprofundados. Momentos que poderiam gerar reflexão são rapidamente diluídos entre uma performance icônica e outra. Existe um claro interesse em preservar o ícone mais do que investigá-lo. Isso não invalida o impacto do filme, mas limita sua profundidade.
(Será que vem aí na parte 2? SIM, teremos uma continução!).
Ainda assim, seria injusto ignorar o que Michael faz muito bem: ele emociona. Há uma sensação constante de reverência, de espetáculo grandioso, de conexão com algo maior que o próprio cinema. É um filme que te envolve, que te faz cantar, pular da cadeira, bater perna, e que te lembra — com força — por que aquele artista se tornou um fenômeno global. Se tornou o Rei!
No fim, Michael talvez não seja a biografia definitiva que muitos esperavam, mas é um tributo poderoso, bem executado e extremamente eficaz no que se propõe.
Assista ao trailer:










