Desde o começo, a Saint Laurent já deixava claro seu mood: menos enfeite, mais atitude. Uma silhueta quase desenhada a lápis, direta, limpa e cheia de personalidade. E é exatamente esse DNA que Anthony Vaccarello resgata e potencializa na coleção feminina de Inverno 2025, entregando looks que provam que o impacto mora no corte, na construção e na escolha dos tecidos, não no excesso. É o famoso menos é mais, só que elevado ao nível luxo absoluto.
As peças surgem com formas puras, volumes precisos e uma alfaiataria que conversa direto com o corpo. Saias amplas com lavagem estonada aparecem combinadas com jaquetas blouson de couro, criando aquele contraste estiloso entre força e delicadeza, pesado e leve, estruturado e fluido. A paleta de cores segue enxuta, com tons intensos e assinados pela identidade Saint Laurent, preenchendo cada linha da coleção com personalidade.

Nos materiais, a maison mostra que inovação também é sobre sensibilidade têxtil. Tecidos elásticos se encontram com guipura, materiais de alta-costura são propositalmente desgastados e a seda cigaline, estampada com motivos florais e animais icônicos, passa por um processo de imersão em silicone, criando textura e presença visual única. É moda com conceito, técnica e estética alinhadas no mesmo nível.
Nos detalhes, o contraste vira protagonista. Enquanto as roupas seguem um minimalismo sofisticado, os sapatos de bico fino ganham uma rosa quadrada de cetim, quase como um manifesto visual. As joias surgem em cristal de rocha, pedra da sorte favorita de Yves Saint Laurent, reforçando a conexão com a herança da casa. O cenário do desfile, um grande oval de ônix cercado por paredes brilhantes, traduz perfeitamente o clima da coleção: misteriosa, profunda, quase sobrenatural, como a própria complexidade humana refletida na moda.
Na coleção masculina de Inverno 2026, Vaccarello muda o ritmo, mas não perde intensidade. Aqui, a inspiração vem da intimidade, da vulnerabilidade e da emoção crua. O ponto de partida é o romance O Quarto de Giovanni, de James Baldwin, obra que já nasceu desafiando padrões de masculinidade e abordando desejo, identidade e conflitos internos de forma corajosa e visceral. Esse universo literário vira atmosfera de passarela.

A coleção nasce nesse momento liminar entre a noite e o dia, entre o despir e o vestir, entre o que fomos na madrugada e quem precisamos ser ao amanhecer. É sobre o ritual de se recompor, de se reconstruir, de vestir a própria armadura emocional antes de voltar ao mundo. E isso aparece traduzido na roupa de forma extremamente sensível.
A silhueta é magra, alongada e sinuosa, transmitindo ao mesmo tempo fragilidade e força. Texturas amassadas e superfícies macias sugerem tempo, memória, vivência. Ombros marcados funcionam quase como proteção simbólica, enquanto o jogo entre revelar e esconder o corpo traz uma carga de erotismo elegante, jamais apelativo. O smoking clássico da Saint Laurent surge com presença de armadura, forte, firme, quase um escudo contra as inseguranças. As botas de cano alto ancoram os looks, trazendo peso e realidade para uma estética profundamente emocional.
E como assinatura absoluta, o preto domina a coleção. Não só pela elegância óbvia, mas pelo significado. Clássico e iconoclasta ao mesmo tempo, o preto aqui vira linguagem, discurso e identidade. É a cor que carrega tudo: desejo, silêncio, força, mistério e memória.
O desfile acontece em um espaço carregado de intimidade e lembranças, reforçando ainda mais o conceito da coleção. Nada é gratuito. Tudo comunica. Tudo conversa com quem assiste e, principalmente, com quem veste.
Saint Laurent, mais uma vez, prova que moda não é só tendência. É narrativa, emoção, identidade e expressão pessoal em estado bruto.
#SaintLaurent #AnthonyVaccarello #Inverno2025 #Inverno2026 #ModaDeLuxo #ParisFashionWeek #ModaConceito #AltaCostura #FashionNews #EstiloComAtitude











