Início Teatro Medea Depois do Sol estreia no Sesc Ipiranga com teatro poético-político

Medea Depois do Sol estreia no Sesc Ipiranga com teatro poético-político

Crédito: Laércio Luz

Se liga nessa estreia potente que chega aos palcos de São Paulo: o espetáculo Medea depois do Sol desembarca no Sesc Ipiranga entre os dias 06 e 29 de março de 2026, trazendo uma releitura intensa e super necessária do clássico mito grego de Medea — só que agora com um olhar totalmente conectado com a realidade do Brasil e da América Latina. A proposta? Misturar arte, reflexão e muita provocação sobre temas como violência de gênero, colonização latino-americana e ecofeminismo.

Com texto inédito da dramaturga feminista Luciana Lyra, que também entra em cena interpretando a personagem principal usando máscara, a montagem pega a narrativa da Grécia Antiga e joga ela direto em um contexto latino contemporâneo. A ideia é explorar, de forma poética e política, questões como maternidade, filicídio e as marcas históricas da opressão sobre o corpo das mulheres — e também sobre o corpo da própria terra.

A encenação encara Medea como símbolo de uma maternidade levada ao limite, mas também como uma sobrevivente de um trauma coletivo que atravessa gerações e territórios. É aquele tipo de teatro que não deixa ninguém sair da plateia do mesmo jeito.

E tem mais: Medea depois do Sol também celebra 30 anos de trajetória de Luciana Lyra no teatro brasileiro. O espetáculo nasce a partir de um intenso processo de pesquisa, incluindo o pós-doutorado da artista realizado na Tisch School of the Arts, da New York University (NYU). A montagem também bebe de experiências pessoais da autora sobre maternidade e de suas pesquisas com as mulheres guerreiras de Tejucupapo, na Zona da Mata de Pernambuco.

O projeto ainda foi construído a partir de trocas com coletivos de mulheres artivistas de várias partes da América Latina, incluindo grupos de São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e até de Quito, no Equador. Dessa rede de escuta e criação coletiva surge uma ideia forte dentro da obra: o motim feminino, um levante simbólico de mulheres em resistência.

Segundo Luciana Lyra, esse levante é justamente o ponto de virada da história. A dramaturga explica que o espetáculo busca pensar estratégias para que mulheres retomem o poder sobre seus próprios corpos, pensamentos e histórias. A pesquisa que deu origem à peça foi orientada pela professora Diana Taylor, referência mundial em estudos de performance.

No palco, além de Lyra, quem também marca presença é a atriz e musicista Lisi Andrade. A direção é assinada por Ana Cecília Costa e Kátia Daher, enquanto a trilha sonora mistura composições originais de Alessandra Leão e da própria Luciana Lyra, além de músicas populares. A trilha também conta com criação de Erika Nande.

A equipe criativa ainda reúne Leusa Araujo no dramaturgismo, Renata Camargo na direção de gesto e movimento, Carol Badra no figurino e Camila Jordão na cenografia e iluminação. A produção fica por conta de Franz Magnum.

De acordo com Lyra, o espetáculo quer provocar mesmo — dar aquele chacoalhão na estrutura falocentrada da sociedade latino-americana. A narrativa propõe uma espécie de viagem ao contrário, em que Medea retorna à sua terra natal, chamada Yewá, para revisitar sua própria história de opressão e encarar um acerto de contas simbólico com seu avô, o Sol.

Se você curte teatro que faz pensar, questionar e sentir ao mesmo tempo, Medea depois do Sol promete ser uma experiência daquelas que ficam ecoando na cabeça por muito tempo.

Crédito: Laércio Luz

Serviço

Espetáculo: Medea depois do Sol
Temporada: 06 a 29 de março de 2026
Horários: sextas às 21h30 | sábados e domingos às 18h30
Duração: 60 minutos
Classificação indicativa: 12 anos

Local: Sesc Ipiranga
Endereço: Rua Bom Pastor, 822 – Ipiranga – São Paulo – SP

Ingressos: de R$15 a R$50

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