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Sam Smith – novo álbum Hazel Eyes | Review: abandona o caos de “Gloria” e entrega seu álbum mais romântico, íntimo e maduro

Divulgação Universal Music

Eu confesso: quando ouvi que Sam Smith estava preparando um novo álbum, minha expectativa era de mais uma daquelas eras em que a gente nunca sabe qual vai ser o próximo surto pop. Depois de Gloria, “Unholy” e toda a fase mais provocativa da carreira, eu estava esperando conceito, close, shade, drama e, quem sabe, um hino para tocar no último volume da balada. 😂  Só que Sam resolveu fazer o contrário.

Em “Hazel Eyes”, lançado nesta sexta-feira (21), eu encontro um artista muito mais interessado em falar de amor, intimidade, vulnerabilidade e amadurecimento do que em simplesmente entregar um novo banger. O quinto álbum de estúdio chega com 12 faixas e foi construído ao longo de mais de três anos, com Sam também assumindo um papel maior na produção ao lado de Simon Aldred e David Odlum.

E olha… o close é outro. 👀

💘 Sam Smith está apaixonado. E isso muda tudo.

O que mais me chamou atenção ao ouvir ainda antes de todos a convite da Universal Music em Hazel Eyes é que Sam sem interferências, só ele, eu e meu fone. parece ter trocado o lugar de quem canta sobre o amor perdido pelo de quem finalmente encontrou um amor que vale a pena.  O álbum é profundamente romântico e tem como inspiração o relacionamento de Sam com Christian Cowan, além da nova vida em Nova York. O próprio artista descreveu o projeto como algo muito pessoal, criado com um pequeno grupo de amigos e com uma liberdade artística maior.  E isso aparece logo na abertura.

“Everlasting Love” começa o disco como uma declaração de intenções. É uma música que aposta em uma atmosfera mais clássica, quente e sensual, com cordas, metais, guitarra e vocais que colocam Sam novamente naquele território em que sua voz parece ocupar todos os espaços sem precisar gritar.

Eu gosto dessa escolha porque Sam não tenta competir com o próprio passado. Aqui, a diva não precisa provar nada.  Ela simplesmente senta, canta e entrega. 💅

🌙 “Hazel Eyes” é menos “Unholy” e mais “vem cá, deixa eu te contar uma coisa”

A faixa-título segue uma direção ainda mais sentimental.  Se Gloria era muito sobre liberdade, provocação e desconstrução, Hazel Eyes parece interessado em mostrar o que existe depois da festa.

É aquele momento em que você chega em casa, tira a maquiagem, joga o salto no canto e começa a pensar: “Tá, mas o que eu realmente quero da minha vida?” E é justamente aí que o álbum ganha força.

A produção é mais orgânica, com elementos de pop barroco, folk britânico, blues, gospel, country e R&B alternativo. Em vários momentos, a sensação é de que Sam prefere deixar a música respirar em vez de encher tudo de produção. Para mim, essa é uma das melhores decisões do álbum.

🌊 “Moondance” entrega sensualidade sem precisar forçar a barra

Em “Moondance”, com participação de Feist, Sam entra em uma vibe mais sensual e contemplativa.  É uma faixa que cresce devagar, sem aquela necessidade desesperada de entregar um refrão gigantesco em 30 segundos. E eu amo quando um artista pop faz isso.

A música deixa espaço para as texturas, para a voz e para a atmosfera. A guitarra elétrica, as cordas e os elementos mais sutis criam uma sensação quase hipnótica. É o tipo de faixa que eu colocaria numa playlist chamada “estou gostoso, apaixonado e ninguém tem nada a ver com isso”. 😂

💚 “My Guy” é o momento mais fofo do álbum

Se existe uma faixa que representa o coração de Hazel Eyes, para mim é “My Guy”. A música fala de amor correspondido de uma maneira simples, doce e quase clássica. Sam não está tentando transformar o relacionamento em um espetáculo. É sobre ter alguém, escolher alguém e sentir que aquele amor traz calor para uma vida que muitas vezes pode ser fria.

A participação de Feist e os vocais adicionais de Moses Sumney deixam tudo ainda mais bonito. E existe algo muito importante aqui: um artista queer cantando sobre amor queer sem precisar transformar isso em explicação. É simplesmente amor. E isso, para mim, é poderoso. 🏳️‍🌈❤️

Divulgação Universal Music

💔 Mas calma que a sofrência ainda está no CPF

Se você achou que Sam tinha aposentado completamente o drama, segura a bolsa. “When He’s Gone” mostra que a sofrência ainda está vivíssima. A música diminui o ritmo e mergulha em uma sensação de perda e dependência emocional. A interpretação começa mais contida e vai ganhando força até chegar naquele ponto em que a voz de Sam parece estar segurando uma lágrima com todas as forças.

É o velho Sam que a gente conhece.   Só que mais maduro. E talvez seja justamente essa mistura entre amor feliz e medo de perder que torne o álbum mais interessante.

🕵️ “Thief” é o shade que eu estava esperando

E aí chega “Thief”.  Aqui eu sinto o álbum ficando mais sombrio.A música mergulha em solidão, ciúme, desconfiança e naquela sensação deliciosa e péssima de saber que alguma coisa está errada, mas continuar emocionalmente envolvido.

É o momento em que eu penso:“Pronto. Agora voltou a gay sofrida que mora dentro de Sam.” 😂 Musicalmente, a faixa também tem uma pegada mais bluesy e urbana, conectada à experiência de Sam vivendo em Nova York. E funciona muito bem.

🧘 “Love Is A Stillness” desacelera tudo

Com apenas 1min55, “Love Is A Stillness” funciona quase como uma pausa emocional. Depois de tantas camadas, Sam reduz a velocidade e deixa a mensagem respirar.

É quase aquele momento de silêncio depois de uma conversa intensa. E eu acho importante que o álbum tenha esses espaços. Nem tudo precisa ser single. Nem tudo precisa viralizar.Nem tudo precisa virar áudio para Reels. Às vezes a música só precisa existir.

🍭 “Sugar Rush” quebra a sobriedade

E, graças a Deus, Sam não fica 12 faixas seguidas no modo “chá de camomila, terapia e pôr do sol”. 😂 “Sugar Rush” chega para colocar um pouco mais de energia no álbum.

É curta, direta e funciona como uma pequena injeção de açúcar no meio dessa narrativa mais introspectiva. Eu vejo potencial para ser uma das faixas que mais podem ganhar vida fora do álbum justamente por quebrar a atmosfera mais contemplativa do restante do trabalho.

👩‍🍼 “Oh Mother” aumenta o drama

Com participação do The TwoCity Chorus, “Oh Mother” amplia a dimensão emocional do disco. Aqui, o coral ajuda a criar aquela sensação quase cinematográfica que Sam domina tão bem. É uma música que parece feita para crescer, ocupar espaço e deixar o vocal no centro.E, vamos combinar: quando Sam resolve abrir o gogó, a gente respeita. 🎤

🤎 “Constant Companion” é uma das surpresas

Entre as faixas mais interessantes, eu colocaria “Constant Companion”.Com influência country, a música amplia ainda mais o universo sonoro do álbum e mostra que Sam não está simplesmente tentando repetir a fórmula dos discos anteriores.

A sensação que eu tenho é de um artista experimentando referências que fazem sentido para o momento de vida em que está. E isso deixa o álbum muito mais humano.

🌱 “Hold On” prepara o terreno para a despedida

“Hold On” retoma a ideia de resistência e permanência.É aquela música que parece conversar com tudo que veio antes: amor, medo, insegurança, perda e vontade de continuar.

Não é exatamente uma faixa de explosão pop.É mais uma música de “fica aqui comigo só mais um pouco”. E funciona dentro da narrativa.

🕊️ “To Be Free” fecha o álbum com a chave certa

E então chegamos a “To Be Free”. A música encerra Hazel Eyes de uma maneira muito simbólica: depois de falar tanto sobre amor, medo, identidade e relacionamento, Sam termina buscando liberdade.

A faixa foi apresentada em performances intimistas e foi gravada originalmente em uma única tomada, com voz e violão, reforçando essa ideia de vulnerabilidade sem maquiagem.

Para mim, é uma conclusão coerente. Sam não termina dizendo “eu encontrei todas as respostas”. Termina dizendo, basicamente: eu quero ser livre para continuar descobrindo quem eu sou.

E isso é muito mais interessante.

🎧 Afinal, “Hazel Eyes” é bom?

Sim. E bastante.

Mas eu não colocaria Hazel Eyes na mesma prateleira de In the Lonely Hour ou The Thrill of It All.  E acho que nem deveria. Este é um álbum de outro momento.

Sam Smith já não é a mesma pessoa que cantava sobre heartbreak no começo da carreira. Também não é a mesma pessoa que provocou o mundo com Gloria.

Aqui eu vejo alguém que passou por muita coisa, encontrou novas referências, mudou de cidade, se apaixonou, amadureceu e decidiu fazer música de um jeito mais íntimo.

Algumas escolhas são mais convencionais e, em determinados momentos, o romantismo pode ficar um pouco açucarado demais. Essa também foi uma percepção apontada por outras críticas, que destacam a força vocal e a produção orgânica do álbum, mas observam que algumas faixas escorregam para fórmulas mais previsíveis do adulto-contemporâneo.

Mas, sinceramente?

Eu prefiro um Sam Smith tentando alguma coisa nova do que um Sam Smith tentando repetir “Unholy” até 2035.

⭐ Meu veredito

Hazel Eyes é um disco sobre amar quando você finalmente acredita que pode ser amado de volta.

É romântico, queer, vulnerável, elegante e, em alguns momentos, bem dramático — porque ninguém espera que Sam Smith simplesmente vire uma pessoa low profile emocionalmente. 😂

Eu gosto especialmente da maneira como o álbum troca o espetáculo pela intimidade.

Não é um disco que chega gritando:

“OLHA EU AQUI!”

Ele chega mais na vibe:

“senta aqui, quero te contar uma coisa.”

E eu sentei. 💚

NOTA DEUCLICK: 8,5/10 ⭐

🎧 Faixas que mais me pegaram: “Everlasting Love”, “Hazel Eyes”, “My Guy”, “When He’s Gone”, “Thief” e “To Be Free”.

💅 Momento diva: “My Guy”.

😭 Momento sofrência: “When He’s Gone”.

🔥 Momento sensual: “Moondance”.

🕵️ Momento shade: “Thief”.

🌈 Momento coração queer: praticamente o álbum inteiro.

No fim das contas, Sam Smith não voltou para sofrer. Voltou para amar. E, sinceramente? Já estava mais do que na hora. 💚🏳️‍🌈

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