Gilberto Gil, em comemoração aos 80 anos, lança o álbum “Duetos 2”

A Warner Music Brasil anunciou que o lançamento do disco “Duetos 2” ocorrerá no dia 22 de julho e será uma compilação de 16 encontros de Gilberto Gil com amigos, como forma de celebração de seus 80 anos. O artista brasileiro é um dos primeiros contratados da gravadora quando chegou ao Brasil.

Idealizado e produzido pelo jornalista e pesquisador Renato Vieira (responsável por compilações e reedições de Belchior, Elis Regina, Jorge Mautner e Tom Zé), o álbum resgata canções que o cantor e compositor registrou em discos de amigos e projetos especiais. Algumas delas se perderam no tempo e chegam pela primeira vez ao CD e às plataformas digitais.

Uma das faixas é a “Ilha da Ilusão”, que Gil compôs para Pery Ribeiro, com inspiração após assistir o filho de Herivelto Martins e Dalva de Oliveira desfilando no carnaval. Outra raridade presente no repertório é uma versão de “Eu Só Quero Um Xodó”, gravada ao lado de Anastácia, letrista da música, para um disco lançado apenas em vinil que comemorava os 30 anos de carreira dela. Com Dominguinhos, parceiro de Anastácia neste clássico, Gil teve uma ligação ainda mais sólida. Os dois fizeram e foram para o estúdio registrar o sucesso “Abri a Porta”. 

Para o Quarteto em Cy, ele era o garoto Beto, que tocava acordeom e as acompanhava ainda adolescentes em pequenos shows na cidade de Ibirataia, no interior da Bahia. Em 1994, o grupo vocal convidou o velho amigo para participar de uma releitura de “Tempo Rei” no álbum “Tempo e Artista.

Maria Bethânia, a primeira integrante do chamado “Grupo Baiano” a se profissionalizar, recebeu de presente de Gil o samba-canção “Se Eu Morresse de Saudade” para incluir no disco Maricotinha (2001). Os dois interpretaram juntos a música no show que comemorou os 35 anos de carreira da cantora. Já Gal Costa participou de “Vida”, incluída em um álbum do grupo Obina Shok.

Logo que chegou a São Paulo, se destacou como compositor. Dois exemplares dessa fase estão presentes nesta compilação: “Amor Até o Fim”, gravada com Maria Rita (filha de Elis Regina, a primeira a registrar esse samba), e “Mancada”, um dueto com Beth Carvalho. Nessa mesma época, Gil conheceu Milton Nascimento. Décadas depois, os dois cantaram a pacifista “Imagine” em um tributo a John Lennon.

Nos ambientes efervescentes dos festivais de música e da cena cultural do Rio e de São Paulo, Gil teve seus primeiros contatos, sendo Erasmo Carlos, que teve a ideia de chamar o amigo e sua banda para uma releitura do samba-rock “Mané João”. Francis Hime deu a ele uma música para letrar e daí nasceu “Um Carro de Boi Dourado”, gravada por ambos. Já “Monsieur Binot”, uma das canções mais conhecidas de Joyce Moreno, é uma homenagem a Vitor Binot, professor de ioga dela e de Gil.

No festival da TV Record de 1967, Gil se destacou com “Domingo no Parque”. Após algum tempo, a canção “Eu e a Brisa” (que não chegou à final) se tornaria um clássico e Johnny Alf, um dos pioneiros da bossa nova, resolvei fazer um dueto com o colega 33 anos depois. Já “Meu Coração”, parceria de Gil e Pepeu Gomes, fez sucesso radiofônico logo que saiu.

Fecham a compilação duas faixas registradas no início dos anos 1980: “Marcha da Tietagem”, que marcou o encontro do cantor e compositor com o trio elétrico de Dodô e Osmar e As Frenéticas, e “A Força Secreta Daquela Alegria”. A obra de Gil, no entanto, sempre foi livre e jamais se prendeu a fórmulas. Como disse Torquato Neto na contracapa de “Louvação” (1967), primeiro disco do artista, “há várias maneiras de se cantar e fazer música brasileira: Gilberto Gil prefere todas”.

Bora conferir “Duetos 2” em 22 de julho!

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