Enquanto a galera acompanha as disputas no mar durante a Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval, pouca gente imagina a correria que rola nos bastidores antes da primeira largada. E pode apostar: o verdadeiro game começa muito antes dos barcos entrarem na água. Entre regulagens, treinos, manutenção e muito alinhamento da tripulação, cada detalhe pode fazer a diferença na hora de buscar um bom resultado no maior evento da vela da América Latina.
Para o comandante do veleiro Inaê 50 e comodoro da Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), Bayard Umbuzeiro Neto, a preparação é praticamente metade da vitória.
“O Inaê 50 vai velejar na classe RGS Cruiser. Neste próximo final de semana, durante a regata de Ubatuba a Ilhabela, estaremos velejando no barco em família para fazer algumas regulagens, verificar todo o funcionamento dos sistemas e identificar o que precisa ser aprimorado para passar as sugestões ao time que vai disputar a Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval. Depois disso, ainda teremos os treinos durante a Copa Mitsubishi“, explica Bayard.
Quem também chega na classe RGS Cruiser cheio de expectativa é o Laura VIII, que passou por uma reforma completa especialmente para a competição. A missão é garantir uma disputa segura, confortável e, claro, cheia de boas lembranças para uma tripulação formada por amigos de longa data.
“Todos os tripulantes são companheiros desde a adolescência, quando ainda competíamos nas classes Optimist, Pinguim, Laser, 470 e barcos de oceano. Já tivemos grandes disputas na Semana de Vela com o Lexus. Agora, o Laura VIII vai estrear na competição“, conta o comandante Francisco Freire.
Outra novidade que promete chamar atenção é o Espetáculo III, comandado por Luis Staub. O barco da classe HPE25 foi construído do zero especialmente para disputar a Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval, e a equipe também está começando essa jornada junta.
“Estamos treinando cerca de cinco dias por mês, sempre que a agenda de todos permite. A ideia é aproveitar ao máximo as regatas e, de quebra, reencontrar os amigos“, destaca Luis Staub.
Na vela de oceano não basta só mandar bem no comando do barco. O segredo está na sintonia da equipe, no conhecimento de cada detalhe da embarcação e na capacidade de tomar decisões em questão de segundos quando o vento muda ou o mar resolve surpreender. É aquele famoso “quem vacila, fica pra trás”.
Por isso, os dias que antecedem a Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval são marcados por uma verdadeira maratona de testes, ajustes e treinamentos. É um trabalho que quase ninguém vê, mas que pode ser decisivo quando a contagem regressiva acaba e os veleiros finalmente cruzam a linha de largada. No fim das contas, o espetáculo que a torcida acompanha na água começa muito antes, nos bastidores, onde cada detalhe faz toda a diferença.
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