Matuê segue colecionando momentos históricos na carreira. Neste domingo (28), o rapper cearense entrou de vez para a história ao se tornar o primeiro artista brasileiro do rap a se apresentar no Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa. E, claro, o feito não passou despercebido: o artista entregou um espetáculo gigantesco, recheado de hits, convidados especiais, cenografia futurista e visuais exclusivos que deixaram a multidão em choque.
Desde os primeiros segundos, o público presente no Parque Tejo já percebeu que estava diante de algo diferente. Matuê surgiu no palco ao som do hit “777-666”, abrindo uma apresentação marcada por formações monolíticas futuristas e projeções inspiradas em um deserto distópico. O visual impactante transformou o espaço em um verdadeiro universo próprio.
A sequência de sucessos foi simplesmente insana. A plateia portuguesa cantou em coro faixas como “Conexões da Máfia”, música que estreou como a mais ouvida de Portugal no Spotify em 2023. O primeiro bloco do show, pensado no formato de DJ set, ainda trouxe faixas que já dominam as playlists lusitanas, como “Quer Voar” e “Crack com Mussilon”, que alcançaram respectivamente a segunda e a quinta colocação nas paradas do país.
Sem deixar ninguém parado, o repertório passeou entre grandes sucessos e faixas queridas pelos fãs, incluindo uma versão rock de “Autobahn” e o fenômeno “Kenny G”. Para deixar tudo ainda mais especial, os rappers Brandão e Cashley, parceiros criativos do artista, fizeram participações especiais no palco.
O segundo ato do espetáculo marcou a estreia ao vivo de “Rei Tuê”, faixa presente no álbum “XTRANHO”, lançado em dezembro de 2025. Desta vez acompanhado por banda completa, Matuê mergulhou na sonoridade dos seus três primeiros discos e trouxe novamente Brandão, desta vez para interpretar “Isso É Sério”. A cantora Kouth também subiu ao palco para apresentar “Ícone Fashion”, arrancando muitos gritos do público.
Com guitarra, bateria, teclado e sintetizadores, o rapper mostrou toda a complexidade sonora de músicas como a psicodélica “333”. O encerramento ficou por conta de “Os Melhores”, fechando a apresentação em clima de apoteose.
Estilo, identidade e muita referência nordestina
Um dos elementos que mais chamou atenção durante todo o show foi o tapa-olho prateado usado por Matuê. Produzida exclusivamente para a apresentação, a peça foi inspirada na estética dos cangaceiros e no imaginário do banditismo nordestino, reforçando a conexão do artista com suas origens.
No primeiro bloco, o acessório foi combinado com um visual inspirado no conceito NPC (Não Passa Credibilidade), criado durante os processos criativos do álbum “XTRANHO”. A proposta celebra a liberdade artística no underground brasileiro e apareceu em uma jaqueta rosa personalizada com referências ao disco.
Já na segunda parte do show, o artista apostou em uma estética ainda mais próxima do cangaço, vestindo uma jaqueta de couro envelhecido inspirada também pela anarquia sonora da lendária banda japonesa G.I.S.M.. O look foi completado com calça Ed Hardy, além de botas e cinto Balenciaga.
De Fortaleza para o mundo
No line-up do principal palco do festival, Matuê dividiu espaço com os britânicos 21 Savage e Central Cee. Ao lado de Pedro Sampaio, ele foi um dos únicos brasileiros a se apresentar no espaço mais prestigiado da edição de 2026.
A conexão do rapper com Portugal já vem de longa data. O artista soma dois singles que alcançaram o topo do Top 50 do Spotify Portugal: “M4”, parceria com Teto, e “Conexões da Máfia”, que também atingiu a 37ª colocação no ranking global da plataforma em 2023. Outros sucessos como “Quer Voar”, “Vampiro”, “Crack com Mussilon” e “Imagina Esse Cenário” também dominaram as paradas portuguesas.
Em 2025, Matuê levou a “333 Tour” para a MEO Arena, em Lisboa, registrando casa lotada e estabelecendo o recorde de maior público para um show de rap brasileiro no local. Um ano antes, o artista já havia esgotado os ingressos para sua apresentação no tradicional festival Queima das Fitas, em Coimbra.
Definitivamente, o corre do cearense ultrapassou fronteiras e mostrou mais uma vez que o rap brasileiro está vivendo uma era global. E pelo visto, o céu não é mais o limite para Matuê.
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