Início Games Projeto de lei quer proibir que empresas “matem” jogos digitais no Brasil

Projeto de lei quer proibir que empresas “matem” jogos digitais no Brasil

foto: Cedric Fauntleroy/pexels

Quem já comprou um game na maior felicidade e depois descobriu que ele simplesmente deixou de funcionar por causa do fechamento dos servidores sabe bem o tamanho da dor. Mas essa história pode estar perto de mudar. Foi protocolado na Câmara dos Deputados o PL 3612/2026, de autoria da deputada federal Jandira Feghali, que promete colocar um freio nessa prática e reforçar os direitos dos consumidores brasileiros no universo digital.

A proposta foi inspirada no movimento internacional Stop Killing Games, que vem ganhando força ao redor do mundo e levanta uma discussão que vai muito além dos videogames: afinal, quando você compra um produto digital, ele é realmente seu ou pode desaparecer do nada? Pois é… esse papo tá rendendo e muito.

O projeto quer impedir que empresas retirem unilateralmente o acesso aos jogos eletrônicos adquiridos legalmente pelos consumidores após o encerramento dos servidores. Além disso, busca aumentar a transparência na venda de games digitais, fortalecer a proteção ao consumidor e ainda preservar a memória digital brasileira.

A iniciativa foi construída em parceria com desenvolvedores, pesquisadores e representantes da comunidade gamer. Para Márcio Filho, presidente da Associação de Criadores de Jogos do Estado do Rio de Janeiro (ACJOGOS-RJ), especialista em Games e Sociedade e um dos articuladores do Marco Legal dos Games, o debate já ultrapassou o universo dos jogadores e hoje envolve direitos do consumidor, preservação cultural e até soberania tecnológica em um mundo cada vez mais conectado.

E não é para menos. Segundo a Pesquisa Game Brasil (PGB) 2026, cerca de 82% dos brasileiros jogam videogame, o que representa mais de 100 milhões de pessoas. Enquanto isso, a consultoria Newzoo aponta que a indústria global dos games movimenta mais de US$ 180 bilhões por ano, faturando mais do que os mercados mundiais de cinema e música individualmente. É grana pesada e um mercado que só cresce.

Mas calma que o assunto não para nos games. A discussão pode abrir caminho para proteger também livros digitais, plataformas de ensino, softwares, filmes, séries e outros conteúdos digitais que dependem de servidores e licenças controlados por empresas privadas. Traduzindo: a conversa é sobre garantir que o consumidor não fique na mão depois de pagar por um produto digital.

Entre os principais pontos do projeto estão a obrigação de informar de forma clara quando um jogo exige conexão permanente com servidores, regras para o encerramento desses serviços e alternativas para que os consumidores continuem tendo acesso ao conteúdo adquirido. O texto também prevê medidas para preservar jogos eletrônicos para fins culturais, históricos e acadêmicos, evitando que grandes títulos desapareçam para sempre da história.

Segundo Márcio Filho, o projeto representa mais um passo importante após o Marco Legal dos Games. Depois de reconhecer oficialmente os jogos eletrônicos como tecnologia, cultura, inovação e atividade econômica, agora o Brasil passa a discutir como proteger os direitos dos consumidores e preservar um patrimônio digital que já faz parte da rotina de milhões de brasileiros.

Se aprovado, o PL 3612/2026 pode marcar uma nova fase para o mercado digital brasileiro, trazendo mais segurança para quem investe em jogos eletrônicos e levantando uma discussão que promete impactar toda a economia digital. No fim das contas, fica aquela pergunta que muita gente já faz nas redes: se eu paguei, por que posso perder o acesso? O debate tá on e promete render muitos capítulos.

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