Sabe aquele vazamento que começa pequenininho e, quando você percebe, já virou um problemão? Pois é! Entre os jovens brasileiros, a manutenção da casa muitas vezes só entra na lista de prioridades quando alguma coisa quebra de vez. Uma pesquisa nacional encomendada pela Obramax, com 509 entrevistas realizadas em 2026, revelou que 18,2% dos responsáveis pela manutenção da casa entre 18 e 29 anos só fazem consertos quando surge algum problema, sem qualquer planejamento. É o maior percentual entre as faixas etárias: entre pessoas com 50 anos ou mais, o índice cai para 11,9%.
E não é difícil entender o motivo. Com aluguel, contas, mercado e outros boletos disputando espaço no orçamento, cuidar da casa acaba ficando para depois. Segundo o levantamento, 39,6% dos jovens entrevistados moram de aluguel, contra apenas 17,9% entre os participantes com 50 anos ou mais. Para completar o cenário, a falta de dinheiro aparece como o principal motivo para adiar obras e reparos, citada por 46,8% dos jovens.
O problema é que deixar aquele defeitinho para resolver depois pode transformar uma manutenção simples em um verdadeiro rombo financeiro. E ninguém merece começar o mês com uma infiltração e terminar com uma dívida, né?
Aluguel pesa no bolso e deixa a manutenção em segundo plano
Para boa parte da geração mais jovem, a primeira experiência de cuidar de uma casa acontece em um imóvel alugado. De acordo com o Censo 2022, do IBGE, 30,3% das pessoas entre 25 e 29 anos viviam em domicílios alugados, a maior proporção entre todas as faixas etárias. Na população brasileira em geral, o percentual era de 20,9%.
O cenário fica ainda mais complicado quando entra a questão financeira. Segundo o índice FipeZap, os preços anunciados dos aluguéis subiram 7,11% entre janeiro e setembro de 2026, enquanto a inflação medida pelo IPCA ficou em 3,95% no mesmo período.
Na prática, sobra menos dinheiro para cuidar da manutenção. E existe outro detalhe: quando o imóvel não é próprio, muita gente fica na dúvida sobre quem deve pagar pelo conserto. Afinal, será que o problema é responsabilidade do proprietário ou do inquilino?
Quando o orçamento aperta, o conserto vira problema do futuro
A pesquisa mostra que 46,8% dos jovens apontam a falta de orçamento como principal motivo para adiar obras e reparos. Mas a questão também passa pela percepção de urgência.
Apenas 43,9% dos entrevistados entre 18 e 29 anos concordam totalmente que deixar um conserto para depois sempre acaba custando mais caro. Entre os participantes com 50 anos ou mais, esse percentual chega a 69,2%.
Além disso, 19,4% dos jovens acreditam que subestimar a gravidade do problema faz com que as pessoas adiem os reparos. Entre os mais velhos, o índice é de 12,9%.
Outro dado chama atenção: somente 40,3% dos jovens dizem ter muito receio de problemas ocultos, como instalações elétricas antigas e vazamentos. Na faixa dos 50 anos ou mais, a preocupação chega a 58,3%.
Ou seja, enquanto uma parte da geração mais experiente já fica de olho naquele barulho estranho na parede ou na torneira pingando, muitos jovens ainda preferem deixar a situação rolar até não ter mais como ignorar.
Mas afinal, quem paga o conserto no imóvel alugado?
Essa é uma das dúvidas que podem atrasar a manutenção. A Lei do Inquilinato (Lei 8.245/1991) estabelece que o proprietário deve entregar o imóvel em condições de uso e responder por defeitos anteriores à locação. Já o inquilino precisa cuidar do espaço como se fosse seu e comunicar imediatamente ao proprietário qualquer dano ou defeito cuja reparação seja de responsabilidade dele.
Por isso, antes de contratar um profissional ou sair comprando material de construção, vale entender de quem é a responsabilidade pelo problema. Uma boa comunicação entre proprietário e inquilino pode evitar dores de cabeça, gastos indevidos e conflitos desnecessários.
“Na primeira casa, quase sempre alugada, o aluguel vem primeiro e a manutenção vira o que se resolve quando aparece. Só que uma infiltração pequena hoje pode virar um reparo bem maior amanhã. Olhar a casa com regularidade, mesmo no aluguel, protege o bolso e evita conflito com o proprietário“, afirma Rafael Sales, diretor comercial da Obramax.
Metade dos jovens só faz manutenção quando o problema aparece
Os números mostram que a manutenção corretiva ainda domina a rotina de muita gente. Entre os jovens responsáveis pelos cuidados da casa, 50,4% afirmam realizar predominantemente reparos corretivos, percentual superior à média nacional, de 47,1%.
Mas existe uma curiosidade: essa mesma geração também lidera entre aqueles que adotam práticas preventivas. O levantamento aponta que 31,4% dos jovens fazem manutenção predominantemente preventiva, contra 21,1% da média geral.
Isso indica que a geração está dividida entre dois comportamentos: quem já entendeu a importância de cuidar da casa antes de dar ruim e quem ainda espera o problema bater à porta.
E os defeitos não são poucos. Entre os jovens entrevistados, 41,3% já enfrentaram vazamentos e 38,8% tiveram problemas com infiltrações. Situações que, quando ignoradas, podem crescer rapidamente e exigir intervenções muito mais caras.
Conserto de última hora pode virar uma verdadeira bomba financeira
Quando a manutenção é deixada para depois, o impacto aparece diretamente no bolso. Nos últimos 12 meses, 36,4% dos jovens responsáveis pelos cuidados da casa precisaram realizar de três a cinco consertos, contra 25,9% entre as pessoas com 50 anos ou mais.
E quando o reparo é emergencial, a situação pode ficar ainda mais pesada: 11,6% dos jovens gastaram entre R$ 3.001 e R$ 5.000 em uma única ocorrência, enquanto o percentual entre os mais velhos foi de 4,9%.
Para completar, 27,3% dos jovens afirmam que os reparos emergenciais atrapalham o pagamento das contas do mês ou provocam endividamento. Entre os participantes com 50 anos ou mais, o índice é de 17,5%.
Curiosamente, o problema não parece estar apenas na falta de dinheiro guardado. Segundo o levantamento Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, apenas 17% dos jovens entre 16 e 29 anos diziam não possuir reserva de emergência no fim de 2025, contra 37% da geração X.
Ou seja, existe uma reserva financeira para imprevistos, mas a manutenção da casa nem sempre entra no planejamento. É aquele famoso pensamento de que o dinheiro guardado vai servir para outras emergências, até que a própria casa se torne uma delas.
Sem indicação de confiança, jovens recorrem às lojas e aos aplicativos
Na hora de encontrar alguém para resolver os problemas domésticos, os jovens também apresentam um comportamento diferente das gerações mais velhas.
Entre os entrevistados de 18 a 29 anos, 40,5% contratam profissionais que já conhecem. Entre os participantes com 50 anos ou mais, esse percentual chega a 58%.
As recomendações de amigos e familiares também têm menos peso entre os mais jovens: 45,5% seguem indicações de pessoas próximas, contra 57,3% entre os mais velhos.
Por outro lado, essa turma está mais aberta a buscar referências em outros canais. As indicações de lojas de materiais de construção são utilizadas por 17,4% dos jovens, enquanto 12,6% dos mais velhos recorrem a esse caminho. Já plataformas e aplicativos de serviços são citados por 9,9% dos jovens, contra 5,6% entre os participantes com 50 anos ou mais.
13º salário chegando: será que está na hora de dar um trato na casa?
Com o fim do ano se aproximando, surge uma oportunidade para mudar esse cenário. A primeira parcela do 13º salário pode ser paga até novembro, enquanto a segunda deve ser depositada até 20 de dezembro, conforme a Lei 4.749/1965.
E tem mais: a Black Friday, em 27 de novembro, acontece justamente nessa janela de dinheiro extra e decisões de consumo. Segundo levantamento do Mercado Pago, realizado em 2024 com mais de 21 mil participantes, 54% dos brasileiros pretendiam utilizar parte do 13º salário em compras durante a data promocional.
Mas, antes de sair colocando tudo no carrinho, talvez valha a pena dar aquela conferida na situação da casa.
Entre os jovens que afirmam realizar manutenção preventiva, 13,2% nunca revisaram a parte elétrica, 17,1% nunca verificaram a instalação hidráulica e 23,7% nunca cuidaram do telhado e das calhas.
Esses pontos merecem atenção especial com a chegada do verão e da temporada de chuvas. Uma revisão preventiva pode ajudar a identificar problemas antes que eles se transformem em emergências capazes de consumir milhares de reais.
“Antes de decidir o que fazer com o 13º, vale olhar a casa. Uma revisão simples de elétrica, hidráulica e telhado, mesmo em imóvel alugado, com o proprietário avisado, evita que um problema pequeno estrague o fim de ano”, recomenda Rafael Sales.
Planejamento doméstico ainda é desafio para os brasileiros
Apesar dos números preocupantes, existe espaço para mudar essa relação com a manutenção residencial. A pesquisa da Obramax aponta que apenas 6,3% dos brasileiros se consideram muito planejados quando o assunto é cuidar da casa. Entre os jovens de 18 a 29 anos, o percentual é praticamente o mesmo: 6,6%.
O momento de começar a criar esse hábito é justamente quando a vida adulta está ganhando forma. Mesmo morando de aluguel, acompanhar as condições do imóvel, conversar com o proprietário e reservar uma parte do orçamento para revisões periódicas pode evitar prejuízos lá na frente.
No fim das contas, aquela infiltração que parece inofensiva pode virar uma baita dor de cabeça. Então, fica a dica: antes de gastar todo o 13º em compras e promoções, vale olhar para a casa. Porque prevenir pode até não render curtidas nas redes sociais, mas certamente ajuda a evitar boletos nada amigáveis!
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