Enquanto muita empresa segue reclamando da dificuldade para encontrar profissionais qualificados, talvez a resposta esteja bem mais perto do que parece. Em vez de procurar o candidato “perfeito”, o caminho pode ser investir em quem ainda está começando a carreira. É isso que defende Douglas Liberato, economista, pós-graduado em Administração de Empresas, Terapeuta Somático e mentor estratégico com mais de 25 anos de experiência em liderança e gestão de negócios.
Segundo o especialista, uma das maiores dores do mercado de trabalho atualmente não é apenas a falta de profissionais preparados, mas a forma como as empresas recebem e desenvolvem seus novos talentos. E o recado é direto: quem entra como estagiário hoje pode, sim, ocupar a cadeira de CEO no futuro.
“Ninguém chega pronto. Todo mundo já foi iniciante um dia“, destaca Douglas Liberato, reforçando que cabe aos líderes criar um ambiente acolhedor para que esses jovens possam crescer profissionalmente.
Um exemplo que reforça essa ideia é o de Alberto Kuba, CEO da WEG, que iniciou sua trajetória na empresa como estagiário e, ao longo dos anos, conquistou espaço até alcançar o cargo mais alto da organização. É aquele famoso papo de que “o jogo vira” quando existe oportunidade de verdade.
O ouro pode estar no estagiário
Durante muito tempo, aprendizes e estagiários foram vistos apenas como profissionais responsáveis pelas tarefas mais simples do dia a dia. Mas essa visão já ficou ultrapassada.
Para Douglas Liberato, quanto menor a experiência de um colaborador, maior pode ser sua capacidade de oferecer novas ideias e enxergar soluções que quem está há anos na empresa talvez nem perceba mais. Em outras palavras: o novato chega sem vícios, com energia e uma visão totalmente diferente. É praticamente um “reset” de criatividade dentro da empresa.
“O empresário que não enxerga o estagiário como um oxigênio para o negócio acaba perdendo uma enorme oportunidade de inovação“, afirma.
Ouvir quem acabou de chegar pode fazer toda a diferença
Uma das recomendações do consultor é simples, mas pode gerar um impacto gigante: reservar pelo menos 30 minutos por mês para conversar com estagiários e novos colaboradores.
Segundo ele, esses profissionais costumam oferecer opiniões sinceras, sem os filtros que normalmente existem entre diferentes níveis hierárquicos. Como ainda não estão envolvidos nas disputas internas por cargos ou promoções, conseguem enxergar problemas e oportunidades de maneira muito mais espontânea.
No fim das contas, aquele feedback despretensioso pode virar uma solução que ninguém da liderança havia percebido. E convenhamos… às vezes quem acabou de chegar vê o que quem está há anos deixou de notar.
Investir em pessoas continua sendo o melhor negócio
Na visão de Douglas Liberato, empresas que acolhem, treinam e valorizam seus jovens profissionais fortalecem não apenas seus colaboradores, mas também sua cultura organizacional e sua capacidade de inovar.
Ao apostar no desenvolvimento de estagiários e aprendizes, as organizações deixam de alimentar o discurso da escassez de talentos e passam a construir os profissionais que desejam encontrar no mercado.
O debate sobre esse cenário faz parte do Prêmio CIEE de Jornalismo, iniciativa que busca incentivar reflexões sobre emprego, formação profissional e os desafios do mercado de trabalho.
Quem quiser participar ou conhecer mais sobre a premiação pode acessar o portal do CIEE e conferir todas as informações sobre inscrições e regulamento.
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