Enquanto muita gente nem imagina, milhões de pessoas podem estar convivendo com as hepatites virais sem apresentar nenhum sintoma. É justamente para chamar a atenção sobre esse problema silencioso que acontece em todo o Brasil a campanha Julho Amarelo, uma mobilização voltada para a prevenção, diagnóstico precoce, vacinação e tratamento gratuito oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A campanha reforça que as hepatites atacam o fígado de forma silenciosa e, quando os primeiros sinais aparecem, em muitos casos o órgão já sofreu danos graves, como cirrose ou até câncer hepático. Ou seja: não dá para vacilar. Fazer o teste pode ser o passo que muda completamente a história da doença.
Segundo Jannaina Ferreira de Melo Vasco, biomédica, vice-presidente do Conselho Regional de Biomedicina do Paraná – 6ª Região (CRBM6) e mestre em Microbiologia, Parasitologia e Patologia pela UFPR, existem diferentes tipos de hepatites virais, sendo as mais comuns no Brasil as hepatites A, B e C.
A hepatite A costuma ser transmitida por água e alimentos contaminados. Já a hepatite B pode ser contraída por relações sexuais desprotegidas, contato com sangue contaminado ou da mãe para o bebê durante o parto. A hepatite C, considerada uma das mais preocupantes, é transmitida principalmente pelo contato com sangue contaminado e segue como uma das principais causas de transplante de fígado no país.
A campanha também explica por que o mês de julho e a cor amarela foram escolhidos. O dia 28 de julho marca o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em homenagem ao cientista Baruch Blumberg, responsável pela descoberta do vírus da hepatite B e pelo desenvolvimento da primeira vacina contra a doença. Já o amarelo faz referência à icterícia, sintoma que deixa a pele e os olhos amarelados quando o fígado está comprometido.
E tem uma informação que muita gente nem faz ideia: a hepatite C pode atingir um número de pessoas até cinco vezes maior do que o HIV em escala mundial. O motivo é simples: o vírus consegue permanecer no organismo durante décadas sem provocar sintomas, fazendo com que muitas pessoas só descubram a infecção quando surgem complicações mais graves.
Os sinais mais conhecidos incluem pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, cansaço intenso e dores ou inchaço abdominal. Porém, esses sintomas normalmente aparecem apenas em fases avançadas da doença.
No dia a dia, alguns hábitos também merecem atenção. Compartilhar alicates de unha, lâminas de barbear, tesouras ou qualquer objeto que possa ter contato com sangue representa um risco real de transmissão, principalmente da hepatite C. A orientação é utilizar materiais individuais ou garantir que os instrumentos sejam esterilizados corretamente. Em procedimentos como tatuagens, piercings e aplicações de medicamentos, o uso de materiais descartáveis é indispensável.
Quando o assunto é prevenção, a vacinação continua sendo uma das maiores aliadas. O SUS disponibiliza gratuitamente a vacina contra a hepatite B para pessoas de todas as idades e também oferece a imunização contra a hepatite A para crianças e grupos específicos. Já para a hepatite C ainda não existe vacina, tornando ainda mais importante a prevenção e a realização dos testes.
Outro ponto de atenção envolve pessoas com mais de 45 anos. Quem realizou transfusões de sangue, cirurgias ou outros procedimentos antes de 1993 pode ter sido exposto ao vírus da hepatite C, já que naquela época ainda não existia a triagem obrigatória nos bancos de sangue. Além disso, seringas reutilizáveis eram comuns nas décadas passadas, aumentando o risco de contaminação.
A boa notícia é que o SUS oferece testes rápidos gratuitos para hepatites B e C, com resultado em cerca de 30 minutos. O tratamento da hepatite C apresenta índices de cura superiores a 95% com medicamentos modernos, enquanto a hepatite B pode ser controlada com terapias capazes de impedir a progressão da doença.
A meta da OMS é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, e o Brasil já é considerado referência mundial no fluxo de atendimento, diagnóstico e tratamento.
Em caso de dúvidas ou para realizar os exames, a orientação é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Afinal, quando o assunto é hepatite, descobrir cedo faz toda a diferença. Então fica a dica: bora cuidar da saúde porque prevenção nunca sai de moda.
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