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Peleja: Documentário sobre a Coligay vence Troféu João Saldanha no CineFoot

Créditos: Divulgação

O futebol brasileiro acaba de dar mais um passo importante na preservação de uma história que, por muito tempo, ficou meio esquecida nos arquivos. O documentário sobre a Coligay, produzido pelo PELEJA com apoio da Netshoes, levou o Troféu João Saldanha na 16ª edição do CineFoot, festival dedicado ao cinema de futebol.

A produção revisita a trajetória da Coligay, considerada a primeira torcida LGBTQIAP+ do mundo, criada por torcedores homossexuais do Grêmio na década de 1970, em Porto Alegre. Em plena ditadura militar, o grupo chegou às arquibancadas com roupas coloridas, plumas e paetês, peitando de frente um ambiente marcado pela repressão, pelo preconceito e por uma visão extremamente conservadora de masculinidade.

E não foi pouca coisa, não. A presença da Coligay nos estádios enfrentou hostilidade e homofobia, mas também transformou o grupo em um símbolo de resistência e representatividade nas arquibancadas brasileiras.

Apoiar essa produção é um ato de respeito à história do futebol brasileiro. Nosso compromisso é dar visibilidade a vozes que continuam transformando as arquibancadas. A Coligay abriu caminhos para que hoje tenhamos um ambiente mais inclusivo e diverso. Estamos orgulhosos com o prêmio em um dos principais festivais de cinema de futebol da atualidade”, afirma Bruno Molina, Gerente de Influência e PR da Netshoes.

Créditos: Divulgação

Para reconstruir essa história, o documentário mistura relatos, arquivos e registros da época. Entre os personagens está Volmar Santos, fundador da Coligay, entrevistado pela equipe em Passo Fundo. A produção também acompanha Quetelin Rodrigues, a Queki, torcedora gremista que atualmente frequenta a Arena do Grêmio com a namorada.

A conexão entre os dois personagens é justamente um dos pontos fortes da produção: de um lado, quem ajudou a abrir caminho décadas atrás; do outro, uma nova geração que continua ocupando as arquibancadas sem abrir mão de quem é.

Desde o início, a nossa preocupação era não olhar para a Coligay apenas como uma curiosidade do passado. Existe uma história muito maior ali, de pessoas que encontraram no futebol um espaço para afirmar quem eram em um período em que isso exigia muita coragem”, explica Julia Ferratoni, roteirista do PELEJA.

Segundo ela, o reconhecimento no CineFoot mostra que essa memória continua tendo força e consegue conversar com novas gerações.

A narrativa também busca mostrar que o impacto da Coligay não ficou preso aos anos 1970. Mesmo depois de deixar as arquibancadas, a história do grupo continuou sendo resgatada por coletivos e torcidas LGBTQIAP+ que passaram a ocupar os estádios brasileiros.

Ter esse reconhecimento no CineFoot reforça a importância de trazer de volta uma história que por muito tempo teve pouco espaço dentro do próprio futebol”, destaca Murilo Megale, CCO do PELEJA. Para ele, contar essa trajetória atualmente também significa preservar uma memória fundamental do esporte brasileiro e fazer com que ela chegue às novas gerações.

Uma história que segue viva

Créditos: Divulgação

A Coligay não conseguiu transformar o futebol brasileiro da noite para o dia. O preconceito continuou — e ainda continua — fazendo parte da realidade das arquibancadas. Mas a existência daquele grupo em um período de forte repressão deixou uma marca que atravessou gerações.

É justamente nessa ponte entre passado e presente que o documentário aposta. Mais do que fazer uma linha do tempo sobre a torcida, a produção coloca em pauta temas como identidade, pertencimento e LGBTfobia no esporte.

Quando colocamos o Volmar e a Queki dentro da mesma narrativa, conseguimos enxergar duas gerações separadas por décadas, mas conectadas pelo direito de viver o futebol sem esconder quem são”, explica Julia Ferratoni.

Lançado em 2025, o documentário está disponível no canal do PELEJA no YouTube e nas redes sociais do veículo. Agora, com o Troféu João Saldanha na estante, a história da Coligay ganha ainda mais holofote — e mostra que memória, representatividade e futebol podem, sim, ocupar o mesmo espaço.

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