É oficial: MC Cabelinho abriu uma nova era na carreira. O rapper lançou nesta segunda-feira (28) ‘ESCORPIÃO’, seu sexto álbum de estúdio, e já chegou colocando os sentimentos na mesa — sem filtro e sem medo de mergulhar nas próprias vivências.
Com nove faixas, o projeto conta com participações de Marina Sena, Klisman e Alee e foi pensado como uma experiência contínua, daquelas para dar o play e ouvir do começo ao fim. O disco passeia por relacionamentos, desejo, sedução, afetividade e, claro, aquela dose de vulnerabilidade que bate quando o romance deixa de ser só hype e começa a mexer de verdade com a cabeça.
Para marcar esse novo momento, MC Cabelinho voltou ao Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, comunidade onde nasceu e cresceu, no Rio de Janeiro. A celebração ainda ganhou um show de drones no céu entre Copacabana e Ipanema, criando uma intervenção visual para apresentar a nova fase do artista. Foi aquele momento: a cidade virou palco e o escorpião entrou em cena.
O ascendente virou conceito
O nome do álbum não veio do nada. MC Cabelinho é aquariano e tem ascendente em Escorpião — e essa mistura virou uma das chaves para entender o projeto.
De um lado, Aquário representa liberdade, originalidade e independência. Do outro, Escorpião traz intensidade, profundidade emocional e um olhar mais estratégico. E é justamente esse choque de energias que aparece nas músicas.
“Eu sou aquariano, mas tenho ascendente em Escorpião, e acho que essa mistura diz muito sobre mim. E ‘ESCORPIÃO’ vem muito desse lugar, de colocar para fora sentimentos e experiências que fazem parte de quem eu sou”, afirma MC Cabelinho.
Na prática, o álbum coloca essas duas versões lado a lado: a vontade de ser livre e, ao mesmo tempo, os sentimentos que grudam, deixam marcas e não desaparecem do dia para a noite.
Desejo, romance e coração ferido
Logo na abertura, ‘NÃO ME COMPARE’ apresenta essa mistura de sedução e cicatrizes emocionais. A faixa fala sobre atração, mas também carrega as experiências de relacionamentos que ficaram pelo caminho.
Já ‘SOLITÁRIO’ mergulha de cabeça no lado mais melancólico do disco. A faixa contrapõe os romances e aquela sensação meio “e agora?” que aparece quando tudo acaba. Violino, viola, violoncelo e piano deixam o clima ainda mais íntimo.
É nessa música que aparece uma das frases que praticamente resume o conceito de ‘ESCORPIÃO’: “Por que no final de toda história, meu escorpião se afoga num aquário? E sempre fica, solitário”.
Em ‘PONTAS NO CINZEIRO’, o artista continua explorando a dificuldade de deixar uma relação para trás, mesmo quando parece que só resta uma última aproximação.
E se tem um tema que não poderia faltar, é o desejo. ‘ESCORPIANA’ trabalha justamente essa tensão entre atração e distância, enquanto ‘RÓTULOS’, com Klisman e Alee, brinca com a ideia de uma relação que não precisa necessariamente seguir o roteiro tradicional.
“O amor não precisa de rótulos, tu é minha escorpiana.”
Até o futebol entrou no jogo
Em ‘FALSO 9’, MC Cabelinho usa o futebol como metáfora para os relacionamentos. A figura do falso 9, jogador que se movimenta, aparece e surpreende, vira uma maneira de traduzir seu próprio comportamento no jogo da conquista.
A sonoridade também entra na brincadeira, com trompete, saxofone, trombone e piano ajudando a construir a identidade da faixa.

MC Cabelinho + Marina Sena = veneno tropical
Um dos encontros mais aguardados do álbum acontece em ‘VENENO’, parceria com Marina Sena.
Aqui, o imaginário do escorpião vira metáfora para o desejo: intenso, atraente e perigoso. A música mistura sensualidade, elementos tropicais e uma atmosfera psicodélica que coloca os dois artistas em um terreno bem particular.
“Meu veneno é tropical, um caos, um desassossego” resume a vibe da faixa.
Segundo Marina Sena, a parceria conseguiu juntar de forma especialmente forte as identidades dos dois artistas. A cantora também entrou na brincadeira de assumir a figura do escorpião, explorando as sensações de perigo, vertigem e mistério associadas ao animal.
Quando o amor vira jogo perdido
Nem toda história termina no modo romance perfeito. Em ‘JOGO PERDIDO’, ciúmes, frustrações e expectativas desencontradas transformam a relação em uma verdadeira disputa emocional.
E o disco chega ao seu desfecho em ‘O TRISTE FIM’, quando a intensidade dá lugar à decisão de seguir em frente.
A mensagem é direta: algumas histórias foram importantes, mas simplesmente deixam de caber na vida.
O mistério antes do lançamento
Antes de revelar completamente o projeto, MC Cabelinho já vinha deixando a internet na curiosidade. No início do mês, o rapper publicou nas redes sociais a frase sobre o escorpião que se afoga no aquário e permanece solitário, fazendo a galera começar a especular o que estava vindo por aí.
A capa e a contracapa de ‘ESCORPIÃO’ também ajudaram a construir esse universo visual. O projeto dialoga com o trabalho do artista contemporâneo mineiro Davi de Jesus do Nascimento, nome que vem ganhando espaço na cena artística nacional. A assistência e o design gráfico ficaram por conta de Caio Esgario.
Na produção musical, Palma, BAMMA, Dallass e Qually aparecem em diferentes momentos do álbum, com reforços de Twisco, Lodoni, H4lfmeasures, Janluska e João Santos.
No fim das contas, ‘ESCORPIÃO’ chega como um projeto que coloca MC Cabelinho diante das próprias contradições: liberdade e apego, desejo e vulnerabilidade, romance e solidão. Tudo isso costurado em nove faixas que, juntas, contam uma história — do primeiro flerte até o momento em que é preciso aceitar que algumas relações simplesmente chegaram ao fim.
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