Aquela ideia de que a Gen Z vota seguindo o que está bombando no feed, o que os amigos estão falando ou o influencer do momento acabou de levar um belo “calma lá”. Uma nova pesquisa do Observatório de Novas Gerações, da consultoria Trope-se, mostra que a juventude brasileira toma suas decisões políticas de forma bem mais autônoma do que muita gente imagina.
Segundo o levantamento, 71% dos jovens da Gen Z afirmam que as propostas dos candidatos são o principal critério na hora de escolher em quem votar. Na sequência aparecem os valores defendidos pelos candidatos, considerados por 60%, e o histórico político, levado em conta por 48%.
E a influência de amigos e influenciadores digitais? Bom… aparentemente, ela não manda tanto assim no voto. Apenas 3% dos entrevistados disseram considerar essas referências na hora da decisão eleitoral.
Ou seja: estar no feed não significa automaticamente estar na cabeça do eleitor. 👀
A Gen Z está entre as gerações mais conectadas e diariamente expostas a opiniões, debates e conteúdos políticos nas redes sociais. Mas o estudo mostra uma diferença importante: consumir conteúdo político não significa necessariamente usar aquilo como base para decidir o voto.
É aquele famoso “vi, ouvi, mas vou pensar por mim”. A geração parece estar criando seus próprios filtros antes de transformar informação em escolha.
“A GenZ cresceu em um ambiente em que opiniões chegam de todos os lados, o tempo inteiro. Isso não significa que ela aceite essas opiniões de forma passiva. Pelo contrário, os dados mostram que existe um processo de filtragem, em que propostas, valores e histórico ganham mais importância na hora de transformar informação em escolha”, afirma Luiz Menezes, CEO da Trope-se.
Estar conectado não significa ser influenciado
O resultado coloca em xeque uma ideia bastante comum sobre juventude, política e redes sociais. Sim, a Gen Z está conectada. Sim, ela recebe informação política de todos os lados. Mas isso não quer dizer que vai simplesmente seguir quem tem mais seguidores, views ou alcance.
Família, amigos, influenciadores e pessoas próximas continuam fazendo parte do ambiente informacional desses jovens. A diferença está no peso que essas referências têm quando chega a hora do voto.
A combinação entre propostas, valores e histórico mostra que o eleitorado jovem busca elementos para construir uma avaliação própria dos candidatos. Em vez de escolher apenas pela identificação com uma pessoa, grupo ou bolha digital, a tendência apontada pela pesquisa é de uma análise mais individual sobre aquilo que cada candidatura representa e oferece.
Para a comunicação política, fica um recado bem direto: alcançar a Gen Z não é a mesma coisa que convencê-la.
Menos hype, mais conteúdo
Em um cenário em que informação política aparece praticamente 24 horas por dia, a juventude parece estar desenvolvendo mecanismos próprios para separar o que merece atenção do que simplesmente passa pela timeline.
Vídeo viral, trend, recomendação de influencer ou aquele post que aparece toda hora podem até gerar contato. Mas, segundo os dados do Observatório de Novas Gerações, isso não significa que o conteúdo automaticamente vai influenciar a decisão eleitoral.
“A atenção não é sinônimo de influência”, resume Luiz Menezes. Para marcas, veículos e instituições que querem conversar com esse público, estar presente nas plataformas digitais continua sendo importante para gerar alcance. Porém, transformar esse contato em credibilidade depende da qualidade das informações e da consistência do conteúdo apresentado.
No fim das contas, a Gen Z pode até estar rolando o feed, vendo vídeos e acompanhando as tretas políticas da internet, mas, quando chega a hora de apertar o botão na urna, os dados indicam que o negócio é mais sério: ela quer entender o que o candidato propõe, quais valores defende e qual foi sua trajetória.
É menos “meu influencer mandou votar” e mais “deixa eu conferir isso aqui antes”. 📱🗳️
Sobre a Trope-se
A Trope-se é uma consultoria especializada em novas gerações que ajuda marcas a rejuvenescer suas estratégias de negócios e a se conectar com a Gen Z e a Gen Alpha a partir de interpretações antropológicas.
Fundada em 2021, a martech da creator economy tem como objetivo acelerar empresas que precisam fazer parte da cultura da internet e impulsionar o protagonismo dos nativos digitais.
A consultoria também possui o Observatório de Novas Gerações, núcleo dedicado à pesquisa sobre comportamento e consumo das novas gerações. A iniciativa é voltada a estudos sobre Geração Z e Geração Alpha, realizados a partir do olhar de nativos digitais.
Entre os principais clientes da Trope-se estão Meta, Google, Globo, Itaú, BRF, Mondelez e P&G.
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