Início Comportamento & Saúde Prazer e Liberdade: Karymy Gonçalves debate a masturbação feminina

Prazer e Liberdade: Karymy Gonçalves debate a masturbação feminina

Crédito: Divulgação

A primeira vez que Karymy Gonçalves ouviu a palavra “siririca”, ela tinha só 11 anos. O termo veio no clássico jeito quinta série da escola, no meio de piada de menino e muita zoeira. Curiosa, ela chegou em casa querendo entender o que significava, mas recebeu apenas um “não é nada demais, é besteira”. O papo acabou ali. A curiosidade, não.

Agora, anos depois, essa mesma memória virou combustível para o livro “A Vida Secreta da Siririca”, lançado em 2023 e que vem abrindo espaço para um debate que muita gente ainda trava no modo silencioso: prazer feminino, masturbação e liberdade sobre o próprio corpo.

Para celebrar o mês da masturbação, o Sexlog conversou com a ilustradora paulistana sobre como o tema atravessou sua vida até virar arte, reflexão e também um baita questionamento social. E o papo veio daquele jeito: sincero, sem filtro e quebrando vários tabus que ainda rondam a sexualidade feminina.

Segundo Karymy, a relação das mulheres com o próprio prazer sempre foi cercada de silêncio, culpa e repressão. “O prazer feminino sempre foi guardado a sete chaves porque ele é um fator muito grande de liberdade”, explica a artista. E não é exagero. Durante séculos, desejos femininos foram tratados como problema médico, descontrole ou até “histeria feminina”. Enquanto isso, o clitóris, órgão central no prazer da mulher, só teve sua anatomia descrita de forma mais precisa no fim dos anos 1990. Sim, é surreal pensar nisso em pleno mundo moderno.

O livro nasceu durante a pandemia, numa mistura de introspecção, yoga, dança e muito autoconhecimento. O que era uma inquietação pessoal acabou virando um convite coletivo para falar sobre algo que sempre existiu, mas que quase ninguém tinha coragem de colocar em voz alta.

Karymy Gonçalves

E teve um detalhe que surpreendeu bastante a autora: o público que mais abraçou o projeto não foi exatamente o das garotas mais novas. Muitas mulheres entre 45 e 50 anos foram as que mais se conectaram com a obra, principalmente aquelas vivendo processos de divórcio, redescoberta e autoconhecimento tardio.

Uma dessas histórias marcou profundamente Karymy. Uma mulher folheou o livro em silêncio, segurou a emoção e disse que não conseguiria levar o exemplar. “Eu não sei se é vergonha ou falta de permissão própria”, contou ela. A frase ficou ecoando na cabeça da ilustradora, mostrando como muitas mulheres ainda sentem dificuldade até mesmo de se permitir explorar o próprio prazer sem culpa.

Ao mesmo tempo, as gerações mais novas começam a enxergar a masturbação de outra forma, quase como um ritual de autocuidado, bem-estar e conexão consigo mesma. Um movimento que também aparece dentro do Sexlog, segundo Mayumi Sato, CMO da plataforma.

Para ela, a maior transformação está no protagonismo feminino sobre o próprio desejo. “Quando uma mulher entende o próprio corpo, seus limites, suas fantasias e o que realmente desperta desejo, ela ganha repertório para viver a sexualidade com mais liberdade”, afirma.

Outro ponto que chama atenção é como o desejo feminino muitas vezes passa longe do estímulo visual tradicional vendido pela indústria pornô feita majoritariamente para homens. Karymy conta que sempre encontrou muito mais tesão em histórias, contos e narrativas do que em imagens explícitas. “A criatividade é a primeira faísca de liberdade”, diz.

Essa tendência também aparece no consumo de conteúdos eróticos hoje em dia. Áudios, podcasts, contos, personagens e narrativas vêm conquistando muito mais espaço entre mulheres do que o pornô visual clássico. Afinal, para muita gente, desejo começa primeiro na mente.

E sobre a culpa? Karymy manda o papo reto: ela existe porque foi ensinada. “A gente é ensinada que qualquer coisa diferente que a gente faz é errado. Mas vai com culpa mesmo. Depois você lida com essa culpa”, afirma. E talvez seja justamente aí que mora a grande virada dessa conversa toda: transformar o prazer feminino em algo natural, livre e sem vergonha.

No fim das contas, o recado da artista é simples, mas poderoso: “Me tocar é um ato de liberdade. Uma vez na nossa vida, algo ser só sobre a gente. Não sobre o outro. Que é um egoísmo muito saudável.”

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