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Funcionário tem “prazo de validade”? por que a Geração Z troca de emprego tão rápido?

Foto: Divulgação (Carteira de Trabalho e Previdencia Social).

Você já entrou em uma padaria, restaurante ou bar e teve aquela sensação de “ué, não era outra pessoa que estava atendendo aqui semana passada?” Pois é. Em muitos comércios, a equipe muda numa velocidade que parece até escalação de time de futebol. O dono continua firme e forte no negócio, mas os funcionários vão chegando, ficando por um tempo e, quando você percebe… já deram aquele famoso “partiu próxima”.

A situação chama ainda mais atenção quando olhamos para pequenos negócios do setor de alimentação. Em um relato compartilhado pelo profissional de comunicação digital Luiz Fernando Pereira dos Santos, uma experiência recorrente em uma padaria de Jacareí, no interior de São Paulo, virou um exemplo de um problema que muitos empresários dizem enfrentar.

Segundo ele, durante visitas frequentes a um cliente para sessões de fotos, a parada para o café acontece sempre na mesma padaria. O detalhe é que os donos continuam os mesmos, mas os rostos atrás do balcão mudam constantemente. Em cerca de três meses, toda a equipe pode ter sido renovada.

E, aparentemente, não é caso isolado. Conversas com outros comerciantes apontam para a mesma dificuldade: reter funcionários virou um dos grandes desafios para quem toca um negócio no dia a dia.

Geração Z chegou com outra visão de trabalho

Para entender esse cenário, é preciso olhar também para a mudança de comportamento entre gerações.

Luiz Fernando, que se identifica como integrante da Geração Y, explica que cresceu ouvindo que o trabalho deveria ser prioridade, que construir uma carreira era motivo de orgulho e que permanecer anos em uma empresa fazia parte do caminho para crescer profissionalmente.

Só que os tempos mudaram — e bastante.

A Geração Z chegou ao mercado com outras prioridades. Qualidade de vida, lazer, tempo livre e experiências passaram a pesar muito mais na hora de decidir se vale a pena continuar em um emprego.

E calma: isso não significa que jovens não querem trabalhar. A questão é que a relação com o trabalho mudou.

Para muita gente mais nova, emprego não necessariamente representa uma construção de décadas. Pode ser uma etapa para alcançar determinado objetivo e, depois, seguir para outra oportunidade.

O trabalho como “missão temporária”

Imagine a situação: o jovem consegue um emprego, começa a trabalhar, recebe o salário e estabelece uma meta. Pode ser pagar uma conta, comprar aquele tênis desejado, juntar uma grana para viajar no Carnaval ou simplesmente guardar dinheiro para alguma experiência.

Objetivo alcançado? Missão cumprida.

Aí surge a pergunta: “E agora, por que continuar?”

Esse pensamento ajuda a explicar parte da rotatividade observada em alguns segmentos. Para determinados trabalhadores, o emprego é encarado muito mais como uma transação do que como uma construção de longo prazo.

Além disso, muitos jovens ainda moram com os pais e não possuem despesas típicas de uma pessoa responsável por manter uma casa inteira. Comprar um carro pode não ser prioridade quando existe Uber. Financiar um imóvel pode parecer algo distante quando a casa dos pais ainda funciona como porto seguro.

Resultado? O salário continua importante, mas nem sempre é suficiente para criar um vínculo duradouro com a empresa.

E a pandemia deixou marcas

Outro ponto levantado por Luiz Fernando é o impacto do período pós-pandemia.

Quem hoje tem entre 18 e 22 anos passou uma parte importante da adolescência em isolamento social. Foram meses — e, em muitos casos, anos — com menos contato presencial, menos convivência, menos experiências práticas e menos oportunidades de desenvolver relações profissionais e pessoais.

Essa realidade pode ter deixado reflexos no comportamento de parte dessa geração, especialmente quando o assunto é lidar com frustração, pressão e contato direto com clientes.

E quem trabalha em padaria, restaurante ou bar sabe: cliente nem sempre vem no modo paz e amor. 😂

“Então é só pagar mais?”

Não necessariamente.

Aumentar o salário pode ajudar, obviamente. Mas, segundo a análise apresentada por Luiz Fernando, dinheiro sozinho não resolve toda a equação.

Se o profissional não enxerga propósito, possibilidade de crescimento ou qualquer perspectiva dentro daquele ambiente, pode simplesmente decidir procurar outro lugar — mesmo recebendo um salário considerado bom.

Ou seja: o problema pode estar muito além do contracheque.

O que os empresários podem fazer?

Não existe uma receita mágica, mas algumas estratégias podem ajudar os negócios a lidar melhor com essa nova realidade.

Automatizar tarefas: painéis, sistemas de atendimento e outras ferramentas podem diminuir a dependência de mão de obra em atividades repetitivas.

Contratar com mais critério: entender o perfil do candidato e descobrir se existe interesse real em crescer naquela área pode evitar contratações que já começam com prazo curto.

Abrir espaço para profissionais mais maduros: trabalhadores em busca de recolocação podem trazer experiência, estabilidade e uma perspectiva mais voltada para o longo prazo.

Treinar continuamente: mesmo com a possibilidade de rotatividade, capacitar a equipe continua sendo essencial. Afinal, funcionário pode sair, mas o conhecimento e os processos bem estruturados ficam.

No fim das contas, o mercado de trabalho está mudando — e rápido. A relação entre empresas e funcionários já não é a mesma de algumas décadas atrás.

Para os empresários, entender essa transformação é fundamental. Para os trabalhadores, também.

A grande virada talvez seja parar de procurar culpados e começar a entender o que cada geração espera de uma relação profissional.

Porque, no fim, ninguém quer contratar alguém na segunda-feira, treinar durante semanas e descobrir na sexta-feira que a pessoa já está mandando currículo para outro lugar. 😅

E aí, como está a rotatividade no seu negócio? A equipe também está no modo “entrou, treinou, saiu”?

Sobre Luiz Fernando Pereira dos Santos

Luiz Fernando Pereira dos Santos, estrategista de Marketing e Conteúdo Digital para o Setor Alimentício e sócio da The Ocean Blue

Luiz Fernando Pereira dos Santos é profissional de comunicação digital com mais de 15 anos de experiência. Já atuou com trade marketing em indústrias, trabalhou em agências e atualmente é sócio da The Ocean Blue, empresa especializada em marketing e produção de conteúdo.

Formado em Administração, possui três MBAs pela ESPM, nas áreas de Gestão de Mercado, Ciências do Consumo e Marketing Digital, além de Master em Marketing pela instituição.

Especialista em estratégia, fotografia de alimentos e inteligência de mercado, auxilia padarias, restaurantes e indústrias na comunicação e na construção de marcas sólidas.

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