Entrar no mercado de trabalho até que está rolando. O problema é conseguir subir na carreira. 🚨 Um novo levantamento da Gupy, plataforma de inteligência artificial voltada para aquisição e gestão de pessoas, mostra que a diversidade LGBTQIAPN+ ainda enfrenta um verdadeiro funil quando o assunto é crescimento profissional.
Batizado de “O Placar da Diversidade no Trabalho”, o estudo analisou mais de 1,5 milhão de admissões realizadas entre 2024 e 2026 e revelou que, a cada dez profissionais que informam sua orientação sexual durante a contratação, apenas um não é heterossexual.
Os números mostram que a presença LGBTQIAPN+ é mais forte nos cargos de entrada, mas vai diminuindo conforme aumenta o nível hierárquico dentro das empresas. Enquanto os profissionais representam 11,56% das contratações em estágios, esse percentual cai para 10,89% entre trainees, 10,78% entre analistas, despenca para 6,24% nas gerências e chega a apenas 5,75% nas diretorias.
Na prática, isso significa que, embora as portas estejam mais abertas para a entrada desses profissionais no mercado, elas continuam se fechando quando o assunto é ocupar espaços de liderança e decisão.
A situação é ainda mais desafiadora para pessoas trans. Segundo o levantamento, 83,63% das contratações de profissionais transgênero estão concentradas em apenas três funções: operador, auxiliar e analista.
Quando o foco muda para cargos de liderança — como coordenação, supervisão, gerência, diretoria e posições executivas — o cenário fica ainda mais desigual. Apenas 1,88% das admissões declaradas de pessoas trans chegam a esses cargos, enquanto entre profissionais cisgênero esse percentual sobe para 4,76%.
Para a Gupy, os dados deixam claro que não basta contratar pessoas diversas. O grande desafio agora é garantir oportunidades reais para que esses talentos permaneçam nas empresas, sejam desenvolvidos e consigam crescer profissionalmente.
Segundo Guilherme Dias, CMO e cofundador da Gupy, muitas organizações ainda praticam uma inclusão limitada.
“A empresa que contrata diversidade na base e mantém a homogeneidade no topo está sendo seletivamente inclusiva, e está desperdiçando inteligência coletiva exatamente onde as decisões são tomadas. Precisamos pensar no que acontece depois da contratação: os programas de desenvolvimento chegam para todos? A avaliação de desempenho é livre de vieses e a partir de metas claras? As pesquisas de clima revelam segurança psicológica? Essa mentalidade precisa ir além da porta de entrada, e entrar na jornada inteira do colaborador.“
Diferenças regionais também chamam atenção
O estudo também mostra que a diversidade varia bastante dependendo da região do Brasil.
O Sudeste lidera em vagas afirmativas para pessoas LGBTQIAPN+, com 1,77%, índice que é mais que o dobro do registrado no Centro-Oeste, que aparece na última colocação, com apenas 0,78%.
Entre os estados, São Paulo ocupa a liderança nacional, registrando 2,37% das vagas afirmativas. Já Goiás apresenta apenas 0,53%.
Por outro lado, a região Norte surpreende positivamente. Ela ocupa o segundo lugar em vagas afirmativas, com 1,52%, e registra o maior percentual de contratações de pessoas trans do país: 5,66%, quase o dobro do observado no Sudeste (3,73%).
O levantamento aponta ainda que fatores econômicos e sociais ajudam a explicar parte dessas diferenças. No Centro-Oeste, por exemplo, a forte presença do agronegócio influencia os resultados. Dados do IBGE, divulgados em 2022, mostram que a taxa de autodeclaração de pessoas homossexuais ou bissexuais na zona rural é de 0,8%, menos da metade dos 2% registrados nas áreas urbanas.
Para Guilherme Dias, o contexto regional pode impactar os resultados, mas não deve servir como justificativa para a falta de inclusão.
“Contexto regional influencia, mas não determina o resultado. Empresas que atuam em territórios com mais barreiras têm uma oportunidade concreta de liderar pelo exemplo. E isso começa com perguntas simples: minha vaga afirmativa chega a quem ela precisa chegar? Meu processo é seguro para quem se candidata?“
No fim das contas, o levantamento reforça um recado importante: diversidade não pode parar na contratação. O verdadeiro avanço acontece quando profissionais LGBTQIAPN+ conseguem crescer, ocupar posições estratégicas e participar das decisões que moldam o futuro das empresas. Afinal, abrir a porta é só o começo — garantir espaço para evoluir é o que realmente faz a diferença.
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