Quando olho para a minha trajetória, consigo identificar um daqueles momentos que dividem a vida em “antes” e “depois”. Entre 2004 e 2005, passei por um período de sofrimento emocional muito intenso e cheguei a tentar tirar a própria vida. Foi uma fase extremamente difícil, daquelas em que parece que a luz simplesmente dá uma sumida. Mas a minha história não terminou ali.
Anos depois, a palhaçaria entrou no meu caminho e, de uma forma que eu jamais poderia imaginar, acabou se transformando em profissão, propósito e uma maneira de criar conexões reais com outras pessoas. 🤡✨
Hoje sou ator, palhaço profissional, fundador e diretor artístico do Grupo Soul Alegria, negócio social criado em 2011 e dedicado à palhaçaria hospitalar e à humanização. É por meio do personagem Dr. Miojo que entro em hospitais para trabalhar com riso, ludicidade, escuta e acolhimento.
E, para mim, isso vai muito além de simplesmente fazer alguém dar risada.
Rir é só uma parte da história
Durante o Setembro Amarelo, falar sobre saúde mental ganha ainda mais importância. Eu falo sobre essa parte da minha história há bastante tempo e hoje consigo olhar para ela de outra maneira.
A palhaçaria foi muito importante na minha reconstrução e acabou se tornando um propósito. Mas acredito que cada pessoa precisa encontrar seus próprios caminhos e, principalmente, ter espaço para falar, ser ouvida e acolhida. 🫂💛
É justamente aí que entra uma coisa que aprendi na prática: nem todo momento pede uma piada. Às vezes, o que uma pessoa precisa é de silêncio. Outras vezes, de uma escuta verdadeira. E, em alguns momentos, simplesmente de alguém presente.
No hospital, isso fica ainda mais evidente.
O palhaço hospitalar não chega como se estivesse entrando em um palco convencional. Existe um contexto, existem protocolos, existem limites e, principalmente, existe uma pessoa ali com uma história, uma condição e necessidades completamente diferentes.
Por isso, antes de pensar em arrancar uma gargalhada, eu preciso observar, entender o ambiente e perceber se aquele encontro faz sentido.
E sim, às vezes o maior “plot twist” é descobrir que o melhor momento da intervenção não acontece quando alguém gargalha, mas quando conseguimos criar uma conexão. ❤️
Palhaçaria hospitalar é profissão, técnica e responsabilidade
Existe uma ideia de que palhaçaria hospitalar é apenas voluntariado ou alguém chegando com uma roupa engraçada para fazer graça. Mas a realidade é bem diferente.
Ser palhaço dentro de um hospital exige formação, técnica, preparo e muita responsabilidade.
Sou formado pela TENP – Teatro Escola Nill de Pádua e também tenho experiência na área de relacionamento interpessoal em saúde, além de formação como cuidador de idosos.
No Soul Alegria, trabalhamos com pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde, inclusive em situações extremamente delicadas, como UTIs, isolamentos e diferentes níveis de fragilidade física e emocional.
Já passamos por instituições como o A.C. Camargo Cancer Center, Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo e Hospital Municipal Infantil Menino Jesus.
Cada porta que se abre para uma intervenção traz uma realidade diferente. Não existe uma receita pronta. Não é “apertou o botão do palhaço e saiu felicidade”. 😅
É preciso saber abordar uma pessoa, respeitar seu momento, conhecer os protocolos e entender que cada paciente tem uma história e uma necessidade diferente.
Do sofrimento para a conexão
Quando penso na minha própria trajetória, percebo como as conexões humanas podem mudar completamente o rumo de uma história.
A palhaçaria começou como uma possibilidade profissional, mas acabou se tornando uma ferramenta para criar encontros e transformar ambientes que muitas vezes estão cercados pela dor.
Foi nesse processo que descobri que levar leveza não significa ignorar o sofrimento.
Muito pelo contrário.
Significa reconhecer que, mesmo em momentos difíceis, ainda podem existir espaço para uma conversa, um olhar, uma brincadeira, um sorriso, um silêncio ou simplesmente uma presença.
Durante o Setembro Amarelo, o Soul Alegria também promove ações relacionadas à saúde mental nos ambientes em que atua, reforçando uma mensagem que considero fundamental: precisamos falar mais, ouvir mais e acolher mais.
Porque ninguém deveria precisar enfrentar seus momentos mais difíceis completamente sozinho.
Hoje, quando entro em um hospital como Dr. Miojo, carrego comigo muito mais do que maquiagem, figurino e nariz vermelho. Carrego uma história.
Uma história que teve momentos muito pesados, mas que encontrou novos caminhos.
E talvez seja justamente essa a parte mais bonita de tudo: o homem que um dia precisou encontrar uma nova direção hoje usa a arte para ajudar a criar momentos de leveza para pessoas que também estão atravessando dias delicados. 🤡❤️
No fim das contas, aprendi que a vida pode até nos colocar em capítulos que a gente nunca escolheria escrever. Mas, com apoio, acolhimento, diálogo e novas conexões, outros capítulos podem surgir.
E eu sigo escrevendo os meus.
Sobre Clerson Pacheco e o Soul Alegria
Sou Clerson Pacheco, ator, palhaço profissional, fundador e diretor artístico do Grupo Soul Alegria, negócio social criado em 2011 com atuação em palhaçaria hospitalar e humanização em empresas.
Como Dr. Miojo, desenvolvo intervenções principalmente para adultos, idosos, pacientes, acompanhantes e profissionais da saúde. Também atuo como professor de relacionamento interpessoal na área da saúde.
O Soul Alegria defende a profissionalização da palhaçaria hospitalar e utiliza a arte, a escuta e a ludicidade como instrumentos de humanização e cuidado.
Porque, no final, talvez o verdadeiro poder do nariz vermelho não esteja apenas em fazer alguém rir. Está em criar uma ponte. 🤡🌈❤️
#ClersonPacheco #SoulAlegria #DrMiojo #SetembroAmarelo #SaudeMental #PrevencaoAoSuicidio #PalhacariaHospitalar #Palhacaria #Humanizacao #HumanizacaoHospitalar #Acolhimento #Empatia #ArteESaude #Saude #BemEstar #Proposito #Teatro #AmorAoProximo













