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Geração Z coloca saúde mental no topo das prioridades

Crédito: Divulgação

A saúde mental deixou de ser apenas um benefício desejável e virou praticamente um requisito para a Geração Z na hora de escolher onde trabalhar. Em um cenário em que bem-estar emocional, propósito e qualidade de vida pesam tanto quanto salário e benefícios, empresas que ignoram essa pauta podem acabar ficando para trás na corrida pelos melhores talentos.

De acordo com um levantamento global da Deloitte, divulgado em 2025, o bem-estar psicológico está entre as principais prioridades dos jovens profissionais. Ao mesmo tempo, uma parcela significativa afirma que o próprio trabalho contribui diretamente para o aumento do estresse, acendendo um alerta para organizações que ainda mantêm modelos de gestão considerados ultrapassados.

Para Jéssica Palin Martins, psicóloga, advogada, especialista em saúde mental corporativa e fundadora da IntegraMente, essa mudança não é apenas uma tendência passageira das novas gerações, mas uma transformação profunda na forma como o mercado de trabalho funciona.

A Geração Z não separa desempenho de saúde emocional. Se o ambiente gera insegurança psicológica, falta de escuta ou incoerência entre discurso e prática, a desconexão acontece rapidamente“, explica.

💭 Saúde emocional vira pauta estratégica dentro das empresas

A entrada cada vez mais forte da Geração Z no mercado tem provocado uma verdadeira virada de chave dentro das organizações. Benefícios tradicionais continuam importantes, mas já não são suficientes para garantir retenção e engajamento.

Hoje, fatores como transparência, equilíbrio emocional, ambiente saudável e alinhamento de valores ganharam protagonismo. E quando isso não acontece, o famoso “quiet quitting” — ou desligamento silencioso — começa a aparecer.

Segundo Jéssica Palin, muitos sinais surgem antes mesmo do pedido oficial de demissão.

A empresa percebe queda de produtividade, afastamento emocional e desengajamento, mas muitas vezes interpreta isso como falta de comprometimento, quando o problema está na cultura interna ou na forma de liderança“, destaca.

A especialista reforça que ambientes emocionalmente seguros não significam ausência de cobrança. Pelo contrário. São espaços onde os profissionais conseguem se posicionar, errar, pedir ajuda e contribuir sem medo de julgamentos ou retaliações.

Segurança psicológica não reduz performance. Equipes que se sentem seguras tendem a colaborar melhor, inovar mais e permanecer por mais tempo“, afirma.

⚡ Novas gerações aceleram mudanças nas lideranças

A chegada da Geração Z também está colocando pressão sobre modelos hierárquicos tradicionais. Lideranças excessivamente autoritárias, comunicação confusa e falta de clareza nas expectativas costumam gerar rejeição quase imediata entre os profissionais mais jovens.

Para Jéssica Palin, não basta investir em campanhas internas ou ações pontuais voltadas ao bem-estar.

Não adianta criar ações isoladas se o cotidiano continua emocionalmente hostil. O cuidado precisa estar incorporado à gestão, às lideranças e aos processos de tomada de decisão“, ressalta.

Segundo ela, empresas mais preparadas já estão investindo em diagnósticos organizacionais, mapeamento psicossocial e capacitação de gestores com foco em inteligência emocional e comunicação mais humanizada.

📈 Reputação da empresa também entra na equação

Outro ponto que ganhou força nos últimos anos é a reputação empregadora. A Geração Z costuma pesquisar a cultura organizacional das empresas, acompanhar avaliações e observar se existe coerência entre o discurso institucional e a realidade vivida pelos colaboradores.

Essa geração pesquisa cultura, acompanha reputação e observa coerência. Quando a experiência interna não corresponde ao discurso, a empresa perde não apenas talentos, mas também credibilidade“, explica Jéssica Palin.

Diante desse cenário, a saúde mental deixou de ocupar um espaço secundário dentro do RH e passou a fazer parte da estratégia de negócios. Em um mercado cada vez mais competitivo, produtividade, retenção de talentos e reputação caminham juntas — e o bem-estar emocional se tornou uma peça fundamental dessa equação.

🏢 Quem é Jéssica Palin?

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Jéssica Palin Martins é advogada, psicóloga e especialista em saúde mental no ambiente corporativo. É graduada em Direito pela Universidade Paulista (UNIP) e em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP), além de mestre em Direito pelo Instituto Brasileiro de Estudos Tributários (IBET) e especialista em Intervenção Familiar Sistêmica pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (FAMERP).

À frente da IntegraMente, desenvolveu uma metodologia que combina testes psicológicos validados e planos de ação estratégicos voltados para lideranças e departamentos de Recursos Humanos.

Seu trabalho ganhou ainda mais destaque após a aprovação da Lei nº 14.831/2024, que criou o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, além da atualização da NR-1 por meio da Portaria nº 1.419/2024 do Ministério do Trabalho e Emprego, que passou a reconhecer oficialmente os fatores psicossociais como riscos ocupacionais.

📱 Redes oficiais: Instagram @jessicapalinmartins e LinkedIn.

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