A famosa fimose ainda gera muitas dúvidas entre homens e famílias, mas o assunto merece atenção. A condição acontece quando o prepúcio, pele que cobre a glande (cabeça do pênis), não consegue ser retraído completamente, dificultando a exposição da região. Embora seja bastante comum em bebês meninos, a fimose também pode surgir na adolescência e na vida adulta por diferentes motivos.
De acordo com o Dr. Ernesto Alarcon, cirurgião geral especialista em videolaparoscopia, existem dois principais tipos de fimose: a fisiológica e a patológica.
A chamada fimose fisiológica, também conhecida como primária, é a mais comum e geralmente está presente desde o nascimento. Ela acontece devido a uma aderência natural entre o prepúcio e a glande, algo considerado normal durante os primeiros anos de vida. Na maioria dos casos, essa aderência desaparece espontaneamente até os 3 anos de idade, mas pode persistir até a adolescência sem necessariamente representar um problema.
“O quadro só passa a exigir atenção quando causa infecções recorrentes ou dificulta a micção“, explica o especialista.
Já a fimose secundária ou patológica pode aparecer em qualquer fase da vida. Ela costuma ser resultado de infecções, inflamações ou traumas que provocam cicatrizes no prepúcio, deixando a pele mais rígida e estreita. Nessas situações, o problema pode causar dor, desconforto durante as relações sexuais e aumentar o risco de infecções urinárias.
Além disso, a condição pode ser classificada em diferentes graus, conforme a dificuldade de retração do prepúcio.
No Grau 1, é possível puxar totalmente o prepúcio, mas parte da base da glande continua coberta. No Grau 2, a pele pode ser retraída parcialmente, mas não ultrapassa a parte mais larga da glande. Já no Grau 3, a exposição acontece apenas até a região do orifício urinário.
Nos casos mais avançados, classificados como Grau 4, o excesso de pele reduz significativamente a retração do prepúcio, enquanto no Grau 5, considerado o mais grave, a exposição da glande se torna impossível.
Segundo o Dr. Ernesto Alarcon, a fimose patológica pode desencadear uma série de complicações que impactam diretamente a qualidade de vida.
“A condição pode causar dor, sangramento, balanopostite, que é a infecção da glande e do prepúcio, além da parafimose, situação em que o prepúcio estrangula a glande. Em idosos, a perda de elasticidade da pele e a diminuição das ereções também favorecem o desenvolvimento da fimose, dificultando a higiene íntima e aumentando o risco de infecções“, alerta.

⚠️ Os riscos da fimose não tratada incluem:
- Infecções urinárias frequentes;
• Balanopostite;
• Parafimose;
• Dificuldade para urinar;
• Dor durante as relações sexuais;
• Aumento do risco de câncer de pênis;
• Maior vulnerabilidade a infecções sexualmente transmissíveis.
Quando o tratamento se torna necessário, as opções variam de acordo com a idade do paciente, o grau da fimose e os sintomas apresentados. Em alguns casos, pomadas à base de corticoides podem ajudar a aumentar a elasticidade do prepúcio e reduzir a inflamação.
No entanto, quando a resposta ao tratamento clínico não é satisfatória ou o quadro é mais avançado, a cirurgia de circuncisão costuma ser indicada. O procedimento é considerado simples e seguro, trazendo benefícios importantes, como a melhora da higiene íntima, a prevenção de infecções e a redução dos riscos de câncer peniano e de algumas infecções sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV.
Para o especialista, o principal recado é não ignorar os sinais do corpo.
“Muita gente deixa o assunto de lado por vergonha ou falta de informação. Mas a fimose é uma condição comum, possui tratamento eficaz e pode ser resolvida com acompanhamento médico adequado. O mais importante é procurar orientação profissional assim que surgirem sintomas ou dúvidas“, finaliza o Dr. Ernesto Alarcon.
📍 Sobre o especialista

Dr. Ernesto Alarcon é Cirurgião Geral com especialização em videolaparoscopia, atuando com ênfase em cirurgias gerais e digestivas. O médico realiza procedimentos como cirurgias de hérnia, vesícula, vasectomia e cirurgia bariátrica, além de atuar como coordenador e chefe de equipes médicas em hospitais de São Paulo.
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