O clima de Copa já tomou conta do Rio de Janeiro, mas dessa vez a disputa não acontece nos gramados! A SSL Gold Cup 2026, conhecida como a Copa do Mundo da Vela, começou a movimentar o litoral carioca neste domingo (1º/11), com três embarcações SSL47 navegando pelas praias de Copacabana, Ipanema e Leblon. Para completar o esquenta, um avião de propaganda aérea sobrevoou a região carregando uma faixa anunciando a competição internacional. Foi aquele tipo de cena que chama atenção até de quem só queria curtir uma praia!
Mesmo com o tempo nublado, a orla estava lotada, e a movimentação serviu para dar aquele spoiler do que vem por aí. O campeonato será realizado entre 18 de novembro e 13 de dezembro, reunindo 40 seleções nacionais na fase final, com uma estrutura montada na AXIA Marina da Glória, espaço que recebeu as competições de vela dos Jogos Olímpicos de 2016. A divulgação continua nesta segunda-feira (2), feriado de Finados.
A proposta é transformar a vela em um verdadeiro espetáculo esportivo internacional. É praticamente uma Copa do Mundo de futebol, só que na água: países defendendo suas bandeiras, atletas olímpicos, confrontos eliminatórios e uma decisão entre quatro seleções para descobrir quem leva o título mundial.
E tem um detalhe que deixa a competição ainda mais interessante: todas as equipes utilizam barcos idênticos. Ou seja, nada de vantagem por embarcação mais tecnológica ou projeto diferente. O que realmente faz a diferença é a habilidade dos velejadores, a estratégia, a comunicação e o entrosamento da tripulação.

(SSL Gold Cup | Ana Catarina)
Robert Scheidt comanda o Time Brasil
A seleção brasileira terá uma liderança de peso: o multimedalhista olímpico Robert Scheidt estará à frente do Time Brasil. O país já está classificado diretamente para as oitavas de final, previstas entre 2 e 5 de dezembro, quando enfrentará a Polônia e outras duas seleções que avançarem das fases anteriores.
Scheidt destacou a expectativa de competir novamente nas águas cariocas, em um cenário que já recebeu grandes eventos esportivos internacionais.
“O Rio é um lugar maravilhoso, já fez parte de muitos grandes eventos, como a Volta de Oceano e os Jogos Olímpicos de 2016. Vamos velejar em um lugar que muitos conhecem, sob o Pão de Açúcar, e os ventos em dezembro são muito bons”, afirmou o atleta, que levou o Brasil ao sexto lugar na primeira edição da competição, em 2023.
Atletas de vários países participaram do esquenta
A velejada de treinamento que passou pelos cartões-postais cariocas também reuniu tripulações internacionais, com representantes da França, do Peru, do Chile e do Brasil, incluindo integrantes do Grêmio de Vela da Escola Naval (GVEN).
Entre os participantes estava o francês Xavier Rohart, medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Atenas 2004, na classe Star, e presidente da Star Sailors League (SSL). Também marcou presença Gabriel Portilho Borges, bicampeão pan-americano de vela.
A experiência colocou atletas de diferentes nacionalidades e modalidades para velejar juntos, justamente uma das propostas da competição: reunir representantes de diversas classes da vela em uma única equipe nacional.
Rohart aproveitou a ocasião para destacar a tradição brasileira na modalidade e a importância de competir em um cenário olímpico tão conhecido.
“Tenho muito respeito pela vela brasileira. O Brasil revelou muitos velejadores talentosos e tem um nível impressionante em diferentes modalidades, como a vela oceânica, o match race e a vela olímpica. Isso vale para atletas de diferentes gerações. Estar aqui, neste local que recebeu as competições de vela dos Jogos Olímpicos de 2016, é uma honra”, comentou.
Outro participante foi o aspirante Enzo de Giácomo Pereira, do GVEN, que comemorou a oportunidade de conhecer de perto uma embarcação de alto desempenho.
Para ele, a experiência representa uma chance de aprender novas manobras, conhecer diferentes técnicas e ampliar o contato com outros formatos de velejada. Afinal, quando o assunto é esporte, toda oportunidade de aprender e evoluir conta pontos!
SSL47: os barcos que vão definir o campeão mundial
A competição utiliza o SSL47, um veleiro monotipo de 47 pés, com 15,60 metros de comprimento total, 3,7 toneladas de deslocamento e impressionantes 240 m² de área vélica.
Todas as seleções recebem embarcações com o mesmo projeto, fornecidas pela organização. Os países não podem adquirir seus próprios barcos para disputar o campeonato, e a preparação e manutenção da flotilha ficam concentradas na estrutura da AXIA Marina da Glória, que conta com uma veleria própria.
Cada embarcação recebe de oito a dez atletas, com peso máximo total de 730 quilos. Outro ponto importante é a participação obrigatória de homens e mulheres nas tripulações.
Na prática, é uma competição que exige muito mais do que força física. Estratégia, precisão nas manobras, comunicação e trabalho coletivo são fundamentais para conquistar bons resultados.

(SSL Gold Cup | Ana Catarina)
Como funciona a Copa do Mundo da Vela 2026?
A SSL Gold Cup 2026 envolve 66 nações no ciclo classificatório, iniciado em dezembro de 2025. Desse total, 40 seleções participam da fase final no Rio de Janeiro.
O formato é inspirado na Copa do Mundo de futebol. As equipes são divididas em grupos de quatro países e disputam regatas em percursos delimitados por boias. Os barcos largam juntos e precisam conquistar as melhores posições para avançar.
Nas fases eliminatórias até as quartas de final, as seleções acumulam resultados nas regatas de seus grupos, e as duas melhores avançam. As equipes mais bem posicionadas no ranking internacional entram diretamente em etapas posteriores, até a definição dos oito semifinalistas.
Confira o calendário previsto:
- 19 a 22 de novembro: 1/32 de final.
- 26 a 29 de novembro: 1/16 de final.
- 2 a 5 de dezembro: oitavas de final.
- 7 a 10 de dezembro: quartas de final.
- 12 de dezembro: semifinais.
- 13 de dezembro: grande decisão.
As semifinais terão oito países divididos em dois grupos. As duas melhores equipes de cada grupo garantem vaga na finalíssima.
E aqui vem a parte mais emocionante: diferentemente das etapas anteriores, o título mundial será decidido em uma única regata, com quatro seleções na água. Quem cruzar a linha de chegada em primeiro lugar leva a Copa do Mundo da Vela!
Segunda edição promete espetáculo internacional no Rio
A SSL Gold Cup é organizada pela Star Sailors League, entidade criada em 2012 por velejadores olímpicos e profissionais da modalidade. A organização desenvolveu um sistema internacional de competições e um ranking mundial de atletas.
Realizada a cada quatro anos e reconhecida como Evento Especial pela World Sailing, a competição teve sua primeira edição em 2023, em Gran Canaria, na Espanha. Na ocasião, a Hungria, comandada por Zsombor Berecz, conquistou o título mundial após superar Itália, Países Baixos e Espanha na decisão. O Brasil terminou na sexta colocação.
Agora, o Rio de Janeiro será o cenário da segunda edição, com apoio da CBVela e uma estrutura de transmissão que prevê mais de 120 horas de conteúdo ao vivo. O público poderá acompanhar imagens das regatas, movimentação das embarcações em tempo real, dados de desempenho e recursos gráficos para entender melhor cada disputa.
Com atletas de diferentes países, barcos padronizados e uma decisão que promete fortes emoções, a SSL Gold Cup 2026 chega para colocar a vela no radar de quem acompanha grandes eventos esportivos. E o Rio, mais uma vez, prepara suas águas para receber o mundo!
Mais informações: https://www.sslgoldcup.com
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