As vendas do Ozivy, a primeira caneta de semaglutida fabricada no Brasil, começaram oficialmente e já estão dando o que falar nas redes. A novidade da EMS, aprovada pela ANVISA, desembarca nas farmácias com a missão de ampliar o acesso ao tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 no país. E o detalhe que mais chamou atenção foi o preço: a partir de R$ 452, menos da metade do valor do tradicional Ozempic.
A expectativa é alta. Neste primeiro ciclo de abastecimento, a EMS prevê distribuir cerca de 500 mil unidades para drogarias de todo o Brasil, o que pode tornar o medicamento ainda mais popular entre os pacientes.
Mas calma lá, porque nem tudo é apenas preço baixo. Existe um detalhe técnico que muita gente ainda não conhece e que pode fazer toda a diferença na eficácia do tratamento: o armazenamento.
Diferentemente do Ozempic, que pode ser mantido em temperatura ambiente abaixo dos 30°C por até seis semanas após aberto, o Ozivy precisa permanecer refrigerado entre 2°C e 8°C antes e depois do início do uso. Ou seja, nada de deixar a caneta esquecida fora da geladeira ou improvisar no transporte.
Segundo Ricardo Canteras, especialista em logística de cadeia fria há mais de 35 anos e diretor Comercial e de Operações da Temp Log, o cuidado precisa ser levado muito a sério.
“A cadeia fria é o conjunto de processos que garante que uma substância sensível à temperatura seja mantida dentro de condições específicas desde a saída da fábrica até o consumidor final. No caso de uma caneta como o Ozivy, cada etapa precisa respeitar a faixa entre 2°C e 8°C. Qualquer quebra nesse fluxo pode degradar a molécula da semaglutida e reduzir sua eficácia“, explica.
Ele destaca ainda que grandes redes farmacêuticas possuem estrutura adequada para armazenar o medicamento, mas a responsabilidade continua após a compra.
“Em viagens, bolsas térmicas homologadas e equipamentos validados para manter a temperatura correta são indispensáveis“, alerta o especialista.
O aviso ganha ainda mais importância diante da rápida popularização dos medicamentos à base de semaglutida. Afinal, cada vez mais pessoas estão aderindo ao tratamento e muitas delas podem não estar familiarizadas com os cuidados necessários para conservar substâncias sensíveis às variações de temperatura.
Outro ponto importante é que o Ozivy não é considerado um genérico do Ozempic. A ANVISA classificou o produto como um “medicamento novo”, já que ele é um análogo sintético produzido por síntese química, diferente do processo biotecnológico utilizado no medicamento original da Novo Nordisk.
Apesar das diferenças na fabricação e no armazenamento, o mecanismo de ação permanece o mesmo: a semaglutida simula o hormônio GLP-1, retardando o esvaziamento gástrico, aumentando a sensação de saciedade e contribuindo para o emagrecimento.
E a concorrência promete esquentar ainda mais. Outras farmacêuticas nacionais já sinalizaram interesse em lançar versões próprias de semaglutida, com pedidos ainda em análise regulatória. Com um mercado cada vez mais competitivo, garantir a conservação adequada dos medicamentos será essencial para que o tratamento chegue ao consumidor com segurança e eficácia.
📲 Moral da história: preço acessível é ótimo, mas manter a caneta na temperatura certa é o verdadeiro hack para garantir que o tratamento funcione direitinho.












