Início Comportamento & Saúde Colesterol alto em jovens e crianças: Entenda os riscos

Colesterol alto em jovens e crianças: Entenda os riscos

Foto: Banco de Imagens

Se você ainda acha que colesterol alto é coisa de avô e avó, pode dar um “pause” nessa ideia. Especialistas alertam que o problema está cada vez mais cedo na vida da galera, atingindo adultos jovens, crianças e adolescentes. E o pior: na maioria das vezes ele chega no modo silencioso, sem dar nenhum sinal.

Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Colesterol, celebrado em 8 de agosto, médicos reforçam o recado: prevenir e diagnosticar cedo é o verdadeiro “hack” para evitar infarto, AVC e outras tretas cardiovasculares.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 40% dos adultos brasileiros têm alguma alteração no colesterol. O principal vilão é o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, que favorece o entupimento das artérias e aumenta o risco de doenças graves do coração e da circulação.

E não é exagero, não. Dados do Ministério da Saúde mostram que as doenças cardiovasculares provocam aproximadamente 300 mil mortes por ano no Brasil. Entre os fatores que mais pesam nessa conta estão colesterol alto, hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e sedentarismo.

A cardiologista Dra. Airma Cutrim, do Hospital Edmundo Vasconcelos, explica que o maior desafio é justamente o fato de o colesterol elevado ser quase sempre assintomático.

A pessoa pode permanecer muitos anos com o LDL elevado sem sentir absolutamente nada. As exceções são raras, como alguns casos de hipercolesterolemia familiar grave”, afirma a médica.

Tela demais, movimento de menos e ultraprocessado bombando

A mudança no estilo de vida tem papel central nesse aumento entre os mais jovens. A combinação de fast food, salgadinho, refrigerante, muito tempo na frente das telas e pouca atividade física virou praticamente um combo de risco.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), cerca de 25% das crianças e adolescentes já apresentam alterações nos níveis de colesterol. O cenário está diretamente ligado ao crescimento da obesidade infantil e do sedentarismo.

Os principais fatores apontados pelos especialistas são:

  • alimentação rica em ultraprocessados;
  • obesidade infantil;
  • sedentarismo;
  • excesso de tempo em frente às telas;
  • histórico familiar e fatores genéticos.

Nem sempre a culpa é só da alimentação

Muita gente nasce com predisposição genética para ter colesterol alto. A chamada hipercolesterolemia familiar pode permanecer sem diagnóstico por décadas e aumentar bastante o risco cardiovascular. Por isso, histórico familiar de infarto precoce ou colesterol muito alto merece atenção redobrada.

Exame simples pode salvar vidas

O diagnóstico é feito por um exame de sangue chamado lipidograma, que avalia colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos e outros marcadores. A avaliação do perfil lipídico é recomendada para todos os adultos a partir dos 20 anos.

As metas de LDL variam conforme o risco cardiovascular:

  • baixo risco: LDL abaixo de 130 mg/dL;
  • risco intermediário: LDL abaixo de 100 mg/dL;
  • alto risco: LDL abaixo de 70 mg/dL;
  • risco muito alto: LDL abaixo de 50–55 mg/dL.

O que colocar no prato e o que deixar de lado

A alimentação equilibrada continua sendo um dos pilares do tratamento. A orientação é reduzir frituras, embutidos, carnes gordurosas e ultraprocessados e aumentar o consumo de alimentos naturais.

Vale priorizar:

  • frutas, verduras e legumes;
  • aveia, feijão e outras fontes de fibras;
  • azeite de oliva;
  • abacate;
  • castanhas;
  • peixes ricos em ômega-3, como sardinha e salmão.

Movimento é vida, literalmente

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da SBC recomendam:

  • 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, ou
  • 75 a 150 minutos semanais de atividade vigorosa.

Além disso, parar de fumar, reduzir o álcool, controlar o peso e fazer acompanhamento médico regular ajudam muito a diminuir o risco de infarto e AVC.

No fim das contas, a mensagem da Dra. Airma Cutrim é direta: cuidar do coração não é papo para “o futuro”, é missão para agora. Pequenas mudanças feitas hoje podem render mais disposição, qualidade de vida e longevidade lá na frente. Em outras palavras: seu “eu do futuro” vai agradecer — e muito.

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